Mais 20 genéricos podem ser liberados em março
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 15 (AE) - A relação de remédios genéricos disponíveis deve aumentar no próximo mês. O governo está estudando a liberação de mais 20 produtos, que ingressaram com pedido de licença para venda em outubro. O prazo para responder aos pedidos termina nos próximos dias. "Quem tem pressa de ver esses produtos no mercado sou eu", afirmou hoje o ministro da Saúde, José Serra. "Mas não podemos sacrificar a qualidade em nome da rapidez."
Para garantir a oferta de medicamentos genéricos nas farmácias, o Ministério também iniciou negociações com grupos do Canadá. Segundo o ministro, naquele país cerca de 40% dos remédios são vendidos pelo nome do princípio ativo inscrito nas embalagens, não pelo nome fantasia. "A lei brasileira sobre esses medicamentos foi inspirada no sistema canadense e, por essa razão, eles não teriam problemas para se adaptar", disse.
Serra afirmou que as negociações começaram há algum tempo. "Não pode ser um processo traumático", afirmou. Segundo o ministro, há a possibilidade de os canadenses se associarem com outros grupos ou até produzirem os medicamentos no Brasil. "Todos sabem que, na área dos genéricos, quem entrar na frente leva vantagem."
O ministro veio a São Paulo conhecer o Instituto de Oncologia Pediátrica, uma instituição mantida pelo Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer em parceria com a Universidade Federal de São Paulo e empresas particulares. Antes da visita, ele atribuiu a existência dos remédios "B.O." (gíria usada no setor farmacêutico para medicamento "bom para otário") à sonegação de impostos. "Se não existisse sonegação, eles não sobreviveriam", afirmou. Segundo Serra, reuniões com o Ministério da Fazenda estão sendo feitas para discutir o assunto. "O problema é quando alguns praticam empurroterapia à luz do dia."
Serra também atribui a existência dos "B.O." à dificuldade de fiscalizar as quase 5 mil farmácias do País. "Esse trabalho tem de ser feito pelos Centros de Vigilância Sanitária dos Estados e dos municípios", disse. O ministro reconheceu, no entanto, a dificuldade para desempenhar essa tarefa. "Na área de fiscalização, ainda estamos engatinhando."


