Maioria usa a
‘‘via ilegal’’
para adotar
De acordo com a psicóloga Lídia Weber, a maioria das adoções realizadas em Curitiba é ilegal. Os bebês são encaminhados diretamente para a adoção à brasileira (quando são registrados como filhos legítimos de casais adotivos) sem a aprovação da Vara da Infância e Juventude. ‘‘Isso é crime, mas acontece no Brasil inteiro’’, afirma. Para acabar com a adoção irregular, ela acredita que seria necessária uma fiscalização mais rigorosa nos cartórios da cidade. ‘‘O que me impressiona é que não existe uma fiscalização. Como é possível que seja tão fácil adotar uma criança ilegalmente?’’, alega.
De acordo com o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), somente este ano foram relatados e encaminhados à Justiça três casos de adoção irregular. Outros cinco casos estão em andamento. ‘‘Em todos os casos as crianças foram localizadas e estamos investigando os motivos da adoção irregular’’, afirma Renato Ferreira, superintendente do Sicride. A maioria das crianças foi trocada por mercadorias. ‘‘Nestes casos a gente tem que indiciar também a família, que se arrepende e faz a denúncia’’, diz Ferreira.
Entre os casos mais recentes de adoção irregular estão o do deputado Edson Praczyk (PL), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, que ainda está sendo investigado, e do engenheiro civil da Prefeitura de Curitiba, Antônio Ricardo Siqueira, que teria comprado o bebê da servente Maria do Nascimento Silva, de 38 anos, moradora de Pontal do Paraná, no litoral do Estado. (L.P.)

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