Curitiba - Para o promotor do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Murilo Digiácomo, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e Adolescente do Paraná, o que atrapalha a conclusão dos processos de adoção são as imposições dos interessados em adotar.
''O grande problema é que a maioria dos casais quer um recém-nascido, loiro e de olhos azuis. Por outro lado, a maioria das crianças cadastradas são pardas ou negras, têm irmãos e muitas são maiores de 7 anos. Isso torna tudo mais difícil. Normalmente um processo não dura mais que uma gestação'', destaca o promotor.
Apesar do esforço do Conselho Nacional de Justiça (CJN), o cadastro ainda não conseguiu reunir todas as crianças aptas no País. Há Estados, como Amapá e Piauí, com apenas uma criança no programa. Outros, como Acre e Roraima, têm menos de dez inscritos. Segundo a nova Lei de Adoção, a utilização de cadastros nacionais e estaduais é obrigatória.
O baixo número de crianças inscritas, 4.985, mostra que o CNA ainda não emplacou. Além disso, há o problema da superlotação dos abrigos e dificuldade de destituição do poder familiar. De acordo com o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), existem hoje 36.551 crianças e adolescentes vivendo em abrigos ou estabelecimentos mantidos por organizações não governamentais em todo o País.
O Paraná é o quinto Estado do ranking, com 2.843 menores nessas condições, ndo atrás apenas de São Paulo (8.365), Minas Gerais (5.522), Rio de Janeiro (4.323) e Rio Grande do Sul (3.790).(R.C.J.)

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