Maioria dos timorenses comparece às urnas
Dili, 30 (AE-AP) - Desafiando as ameaças de violência e intimidação, milhares timorenses votaram nesta segunda-feira (30) para expressar o seu desejo: independência ou continuar sendo parte da Indonésia. Os partidários da independência estavam otimistas e disseram que a elevada taxa de comparecimento às urnas respresentava o sucesso da causa. Oficiais da ONU comemoravam a expressiva e pacífica participação da população. As estimativas eram de que 79% dos eleitores cadastrados para o plebiscito haviam votado até o meio-dia (hora local), cinco horas e meia depois que as urnas foram abertas. Apesar dos temores que muitos dos eleitores sentissem intimidados a não votar, longas filas foram formadas do lado de fora dos centros de votação na capital do território, Dili. A polícia, fortemente armada, manteve guarda nos locais, junto com observadores da ONU. "Independência - viver ou morrer", gritavam alguns eleitores. As urnas foram fechadas às 16h (hora local) da tarde dando bastante tempo para que os timorenses corressem para casa antes do cair da noite e de um possível novo ataque das milícias pró-Jacarta. "Um grande número de eleitores compareceu às urnas numa votação pacífica", disse Carina Perelli, chefe da divisão de assistência eleitoral da ONU. Durante todo o dia foram registrados incidentes menores e nos 200 centros de votação, apenas seis tiveram de ser fechados por causa de distúrbios, sendo que três foram reabertos mais tarde. No pior incidente registrado nesta segunda-feira (30), provocadores dispararam tiros antes de serem dispersados pela polícia na cidade de Emera, a 60 quilômetros ao sul da capital Dili. O líder separatista José Alexandre "Xanana" Gusmao teve uma recepção de herói no centro de votação em Jacarta onde depositou seu voto. "Hoje, diante da comunidade internacional, vamos decidir nosso destino, nosso futuro, nossa liberdade, nossa independência", afirmou o líder timorense que agora cumpre prisão domiciliar. Em Dili, uma multidão saudou e aplaudiu o prêmio Nobel da Paz de 1996, o bispo Carlos Belo, quando ele chegou a uma escola para votar. Em Sydney, José Ramos Horta, que dividiu o Nobel da Paz com Belo, juntou-se a centenas de refugiados timorenses que hoje vivem na Austrália e Nova Zelândia para votar pela independência. "Para a paz no Timor e para todos aqueles que morreram nos últimos 23 anos", disse Ramos Horta.





