Curitiba- Só 15% dos recém-nascidos são emétropes, ou seja, têm visão normal. Oitenta por cento possuem hipermetropia dificuldade para ver de perto , mas a visão pode ficar estável ou diminuir com o crescimento, e 5% são míopes problema para ver de longe , cuja tendência é que o grau aumente até os 25 anos de idade. Já o estrabismo desvio de um dos olhos , afeta de 3% a 4% da população escolar.
O problema é que a criança que enxerga mal desde pequena não tem parâmetros de comparação, e pensa que todo mundo enxerga igual a ela. Por isso, é importante que os pais fiquem atentos e façam a detecção do problema o mais cedo possível. ''O primeiro exame de vista deve ser feito aos três anos de idade e não aos seis, como pensa a maioria que acha que deve consultar o médico só quando a criança vai para a escola'', alerta a oftalmopediatra Ana Tereza Moreira. Aos três anos o organismo da criança tem mais capacidade de recuperação. ''Você coloca um tampão, por exemplo, e a criança pode até voltar à visão normal. Aos 6 anos às vezes o organismo não consegue mais'', explica.
Por sorte, o problema de maior incidência, a hipermetropia, também tem mais chances de regredir. Com até 4 graus, o organismo tem capacidade para se recuperar sozinho. Mesmo assim, para poder enxergar melhor é comum a criança forçar e, como consequência, ter dor de cabeça. Já a criança míope, segundo ela, franze as sobrancelhas na hora de ler ou ver televisão. Como resultado deste esforço, no final do dia fica com os olhos vermelhos.
Os sinais dos distúrbios são claros. ''A criança hipermétrope é aquela que chega da escola com cefaléia, que vive indo à enfermaria do colégio reclamando de dor de cabeça. Como tem dificuldade para ver de perto, não gosta de ficar lendo, não é do tipo intelectual. Ela gosta de esportes, de jogar vôlei, futebol. Ao contrário da míope, que não enxerga de longe, tem dificuldade de ver a bola, daí vive lendo, não gosta de praticar esportes'', resume.
O estrabismo, por sua vez, acontece quando os músculos do olho que ajudam a olhar numa direção são afetados, resultando na perda do paralelismo dos olhos. Até os seis meses de idade a criança pode fazer movimentos descoordenados com os olhos, sem que isso signifique que esteja com estrabismo. Depois dessa idade, se apresentar sintomas característicos de estrabismo, deve de ser levada imediatamente a um oftalmologista. Existem, hoje, inúmeras técnicas que permitem corrigir o problema, entre elas o uso de óculos especiais, exercícios especiais para a visão, e a obstrução do olho dominante de forma alternada com o outro olho.(M.G.)

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