Maioria dos moradores de rua tem atividade remunerada
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe Folha 
Curitiba - Uma pesquisa divugada ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) aponta como falso o mito de que quem mora na rua vive de esmolas. Os dados mostram que 70,9% dos entrevistados desenvolvem alguma atividade remunerada. O levantamento foi realizado em 48 municípios do país com mais 300 mil habitantes e 23 capitais no período de agosto de 2007 a março de 2008. A pesquisa teve o objetivo de caracterizar esse grupo uma vez que essas pessoas não são contabilizadas pelo censo oficial do país.
''É uma iniciativa histórica pois essa população era invisível diante das políticas públicas pelo simples fato de não ter moradia'', elogia a assistente social Jucimere Isolda Silveira, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. A coleta de dados do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem base domiciliar, o que deixava de fora os habitantes das ruas e abrigos.
No Paraná, Curitiba, Londrina e Maringá participaram da pesquisa. A capital é a cidade com maior número de moradores de rua, cujo total corresponde a 0,154% da população, a terceira maior incidência entre os municípios pesquisados. Em Maringá, essa população corresponde a 0,069% e em Londrina, 0,059%. A maior parte dos entrevistados foi abordada na rua (72,5%). Outros 27,5% foram entrevistados em albergues, abrigos e igrejas.
Segundo o estudo, a maior parte dos moradores de rua é do sexo masculino (82%), se declara pardos (39,1%) ou pretos (27,9%) e tem entre 25 e 44 anos (53%). A maioria foi viver na rua por causa de problemas de alcoolismo e dependência química (35,5%), desemprego (29,8%) ou desavenças familiares (29,1%). Grande parte (74%) sabe ler e escrever e 17,1% são analfabetos. A rua é local onde dormem 69,6% e 22,1% costumam dormir em instituições.
Para Jucimere, os dados apresentados pelo MDS apontam para duas linhas de ação. ''É preciso investir na prevenção da situação de rua. É um trabalho que se faz junto a crianças e mulheres vítimas de violência'', explica. ''A pesquisa também vai embasar ações de resgate de quem já está na rua. Para isso é fundamental entender a dinâmica de vida dessas pessoas e do que os leva para essa situação'', adianta.
''O problema da dependência química é significativo entre as pessoas atendidas pelo Resgate Social'', aponta o diretor de Proteção Social Especial da Fundação de Ação Social (FAS), Adriano Guzzoni. Em Curitiba, há duas opções de tratamento nesses casos. Quem está morando em abrigos pode procurar tratamento nos Centros de Atendimento Psicossocial. Já quem não tem domicílio fixo é atendido pelo Centro de Atendimento Fazenda Solidariedade.
A pesquisa do MDS mostra que, entre os que preferem dormir na rua, 44,3% não gostam da falta de liberdade dos albergues, 27,1% se incomodam com a imposição de horários e 21,4% não dormem em abrigos por causa da proibição do uso de álcool e drogas.


