''Cerca de 70% dos fumantes querem parar de fumar, mas poucos sabem como''. A afirmativa é do pneumologista Oliver Augusto Nascimento, médico assistente da disciplina de pneumologia da Unifesp e vice-diretor de Centro de Reabilitação Pulmonar da Unifesp/Lar Escola São Francisco (LESF). ''As pessoas precisam saber que tabagismo é uma doença, e como qualquer outra precisa de tratamento médico, o que aumenta em quatro vezes a chance de parar'', diz.
Ele explica que, quem fuma, faz isso por três razões: dependência, prazer e hábito. A dependência ocorre porque o uso frequente de nicotina cria e aumenta a necessidade no organismo de dopamina, substância liberada na área de recompensa do cérebro, provocando sensação de bem-estar e humor restabelecido. ''Os receptores cerebrais aumentam em número e ficam menos sensíveis, por isso é preciso cada vez mais (nicotina)'', explica.
Há várias possibilidades de tratamento (veja quadro) e é a avaliação médica que vai direcionar qual a melhor para cada paciente. Entre as medicações de primeira linha, aquelas consideradas com mais eficácia e com menos efeitos colaterais, estão a terapia de reposição de nicotina (adesivo, goma ou pastilha), a bupropiona e a vareniclina. O ideal é que o paciente faça o tratamento por pelo menos 12 semanas.
Para a pneumologista Maria Vera de Oliveira Castellano, coordenadora do Ambulatório de Tabagismo do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, alguns desafios precisam ser vencidos para um tratamento mais eficaz. O primeiro é a disponibilidade dos medicamentos na rede pública de saúde e, o segundo, o ensino formalizado nas escolas de medicina. ''Infelizmente os centros não recebem todas as medicações e é interessante ter várias opções de tratamento, que teoricamente deveria ser feito por qualquer especialista'', afirma.
Um dos relatos de quem para de fumar é o de ficar mais tranquilo. Isso se justifica, segundo a médica: ''o que estimula a ansiedade e a irritabilidade é o intervalo entre um cigarro e outro'', explica. (C.P.)

mockup