Brasília, 30 (AE) - A maioria dos cargos na cúpula da Polícia Federal (PF) ficará com antigos assessores do ex-diretor da instituição Vicente Chelotti. "Minha idéia é reforçar o gabinete", afirmou o novo diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho.
Monteiro Filho efetivou o delegado Vantuir Brasil Jacine como coordenador central policial, função equivalente a subdiretor, e a mesma exercida pelo delegado durante a administração de Chelotti.
Segundo Monteiro Filho, além do preenchimento dos cargos de coordenadores, haverá uma equipe de assessores especiais, todos superintendentes.
Para a própria assessoria, Monteiro Filho escolheu dois nomes - que não quer revelar - de superintendentes ligados a Chelotti. Além disso, para a Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE), o diretor da PF vai manter o delegado Getúlio Bezerra, nomeado por Chelotti para substituir Marco Antônio Cavalheiro, demitido no início do ano.
Outro cargo definido é o de corregedor-geral da PF, que continuará sendo exercido pelo delegado Arthur Lobo Filho - que foi cogitado como candidato a diretor -, nomeado pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros, por indicação de Chelotti. Apesar de ter mandato de dois anos definido por decreto, era intenção de Monteiro Filho manter o delegado. Para outros cargos, o diretor-geral da PF deverá nomear delegados que estão em Brasília.
Na primeira semana à frente da PF, Monteiro Filho procurou fazer um plano emergencial para desenvolver até o fim do ano. Uma das intenções é descentralizar as ações, passando várias tarefas para os Estados. "É preciso que os superintendentes trabalhem de acordo com suas peculiaridades, sem se basearem num programa nacional", afirma o diretor da PF, que não pretende fazer o rodízio de superintendentes, como queria Calheiros.
A operacionalidade da PF ficará por conta de Jacine - que seria o candidato a diretor da preferência do ministro da Justiça -, enquanto Monteiro Filho terá uma função mais administrativa. A assessoria pretendida por ele, que qualifica como de alto nível, ficará encarregada de manter o bom relacionamento entre todos os grupos de dentro da instituição. "Será uma equipe de elite", afirma o direor da PF.
Hoje, pela primeira vez, o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, falou sobre o caso envolvendo o ex-diretor da PF João Batista Campelo, acusado de participar de sessões de tortura contra o ex-padre e professor José Antônio de Magalhães Monteiro. Gregori disse que o governo agiu acertadamente no caso da nomeação do diretor da PF. Segundo ele, foi feita uma tempestade em copo dágua porque o governo jamais iria colocar na direção da PF alguém que tivesse envolvimento com tortura.
"Mas não dava para execrar a pessoa diante de uma denúncia", alegou. Segundo Gregori, antes de tomar a decisão de substituir Campelo, foram ouvidos o acusador e o acusado. "Ele não se defendeu a contento", disse Gregori, referindo-se ao diretor substituído. Quando o caso surgiu, o secretário estava numa viagem à China. Gregori foi criticado por integrantes de partidos políticos aliados ao governo e até mesmo por grupos de defesa dos direitos humanos, como o Tortura Nunca Mais.

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