Maioria dos argentinos acha Mercosul "positivo"
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 28 (AE) - Os intensos conflitos comerciais com o Brasil não foram suficientes para desanimar os argentinos sobre o futuro do Mercosul: 60% deles consideram que o bloco comercial do Cone Sul é "positivo". Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos União para a Nova Maioria, comandada pelo "think tank" argentino, Rosendo Fraga.
Segundo o estudo, outros 22% dos argentinos não são tão entusiastas do Mercosul, e possuem dele uma imagem "regular". Somente 14% possuem uma imagem negativa da associação alfandegária de seu país com o Brasil, Uruguai e Paraguai. A pesquisa também indicou que a imagem positiva do Mercosul é levemente maior no interior do que na capital do país.
Seguindo o nível educacional dos pesquisados, o Centro de Estudos definiu que entre a população com curso superior, a imagem favorável é de 64%. Entre os argentinos com curso secundário, a proporção é de 59%, e primário, 60%. Entre os argentinos das classes A, B, C1 (alta), 69% são "muito" favoráveis ao Mercosul. Nas classes C2, C3 (média), 60% têm a mesma posição; enquanto que nas classes D e E (baixa), essa opinião é compartilhada por 59% das pessoas.
Na última metade dos anos 90, o Mercosul tornou-se uma política de Estado para todos os partidos argentinos. Isso se reflete também através de uma análise do eleitorado dos principais partidos: entre os simpatizantes da coalizão Aliança UCR-Frepaso, 60% têm imagem positiva da associação com o Brasil. Entre os eleitores do Partido Justicialista (também conhecido como "peronista"), a proporção de apoio é de 59%. No entanto, o imagem mais favorável do bloco comercial ocorre entre os eleitores do neoliberal partido "Ação pela República", do ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo.
Segundo Fraga, a pesquisa demonstra que o Mercosul possui uma imagem favorável tanto entre pobres como ricos. "O Mercosul possui um consenso muito alto na Argentina, e as pessoas o encaram como uma política estratégica de longo prazo, mais além das diferenças conjunturais", afirmou.


