São Paulo, 21 (AE) - Os números apurados nos últimos anos comprovam: as rebeliões na Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de São Paulo ocorrem principalmente nos fins de semana. Levantamento mostra que dos 11 maiores motins ocorridos desde 1996, mais da metade foram registrados nos sábados ou domingos.Na opinião de autoridades, representantes da igreja e monitores da instituição, a presença da família durante as visitas de fins de semana acabam encorajando os adolescentes a fugir.
Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidade de Assistência ao Menor e à Família de São Paulo Adalberto Carlos da Silva, o uso da família é uma estratégia dos adolescentes. "Eles aproveitam, sim, a presença da família para aumentar a comoção do público e garantir certa proteção."
Outro fator determinante para as rebeliões de fim de semana é a escala de pessoal de plantão. "Os adolescentes imaginam que a equipe de segurança é menor e por isso torna-se mais fácil uma fuga", diz. Silva explica que com as visitas o tumulto na unidade é maior. "Eles ficam loucos para aproveitar a chance e sair." Segundo o sindicalista, muitas famílias tentam introduzir armas, como facas e estiletes, durante os encontros.
O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor, concorda que os adolescentes encontram força nas famílias. "De um modo ou de outro eles sentem-se protegidos ao saber que as mães estão do lado de fora." Lancelotti também acredita que os adolescentes aproveitam esses dias por considerar a segurança na unidade fragilizada. O padre ressalta, porém, que essas ocorrências são reflexo do tratamento recebido pelos jovens nas unidades.
Comissão - Hoje ele faria uma visita aos 17 internos - todos com 18 anos - presos na 81.ª Distrito Policial, junto com integrantes da Comissão dos Direitos Humanos. Os jovens foram presos por tentativa de homicídio, formação de quadrilha e dano qualificado praticados na rebelião de sábado, na unidade de Tatuapé. À tarde, foram transferidos para o Cadeião de Pinheiros.
Segundo o padre, o objetivo da comissão é verificar a condição de cada adolescente e a necessidade de mantê-los presos. O padre alega que os internos são humilhados, além de sofrerem várias agressões: "Uma hora eles acabam extravasando todos os sentimentos represados".
Alguns monitores da Febem, que pediram sigilo sobre seus nomes, também concordam que a presença da família instiga fugas e motins. "Nessa hora eles ficam com vontade de ir com a mãe", comentou um funcionário.
O ex-interno P.M.S., de 15 anos, revela que a presença de parentes sensibiliza os internos. "Na hora que você vê a visita indo embora, dá vontade de ir junto." Ele esteve na unidade de Tatuapé por oito meses.
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social informou que o número de segurança nos dias de visita não difere da escala semanal.No domingo, só os pais puderam entrar na unidade. Houve revolta por parte de parentes, namoradas e amigos que foram proibidos de entrar no local. Será instaurada sindicância, ainda esta semana, para apurar detalhes do motim e denúncias de torturas.

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