Maioria das obras têm irregularidades
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2012
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Mais de 74% das obras fiscalizadas pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR) na região de Londrina, ao longo de 2011 e em janeiro de 2012, foram autuadas por irregularidades. No total, os fiscais visitaram 7,2 mil obras, sendo que em 5,4 mil delas foram constatados problemas. Apenas 1,8 mil, portanto, estavam regulares. Os números foram divulgados ontem pelo Crea, que tem, como órgão fiscalizador, a responsabilidade de verificar a participação efetiva de um profissional de engenharia em obras e serviços.
De acordo com os dados divulgados, em todo o Paraná foram fiscalizadas 46,8 mil obras no ano passado, das quais 31,6 mil (67%) apresentaram problemas, acima de tudo relacionados à falta de documentos. Destas, 2,8 mil foram consideradas irregulares, principalmente por não possuírem profissional técnico responsável.
O inspetor da Regional Londrina do Crea-PR, engenheiro civil Júlio Cotrim, os números correspondem a uma série de problemas, e não apenas às falhas estruturais. Ele ressalta que, além da ausência de um engenheiro responsável, há muitos casos de irregularidades documentais, como a falta de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). ''Apenas 5% das autuações representam risco à integridade física das pessoas.''
O Crea informa que as rotinas fiscalizatórias revelam situações reincidentes, como a falta de projetos complementares e a inexistência de documentação que identifique o responsável técnico por serviços diferenciados em obras, como piscinas, aquecedores solares e cercas eletrificadas, entre outros.
O presidente do Crea-PR, Joel Kruger, reconhece que são comuns os casos de profissionais que assinam como responsáveis de uma obra apenas para regularizar a documentação, mas não a acompanham. ''Muitos nem chegam a ir até a obra.'' Para Kruger, cabe ao contratante cobrar a presença do engenheiro ou arquiteto no canteiro de obras, de forma que ele possa acompanhar e dar as soluções técnicas adequadas. ''Estes profissionais podem responder civil ou criminalmente por possíveis erros de imperícia, imprudência, de cálculo ou de execução. Ao Crea cabe julgar e determinar as penas administrativas referentes à sua conduta, que incluem, em casos extremos, a perda do registro profissional'', esclarece.


