São Paulo, 9 (AE) - A revista Exame anunciou hoje as 22 melhores empresas brasileiras de 1998, no universo das 500 maiores do balanço da 26ª edição de Melhores e Maiores. No conjunto, elas faturaram US$ 309 bilhões em 98, crescendo 10,5% em relação ao ano anterior. O lucro também acompanhou o crescimento das vendas, ficando 11% maior do 97, quando alcançou a crifra de US$ 6,4 bilhões. Em 98, a lucratividade chegou a US$ 7,1 bilhões. A companhia de melhor desempenho, entre as 22 analisadas, será conhecida somente no dia 23.
Apesar das grandes cifras, a rentabilidade - fator importante para que o País possa atrair investimentos estrangeiros - continua patinando na casa dos 4%. No ano passado
computando o desempenho das 500 maiores, a média da rentabilidade ficou em 4,2%, ou seja, 0,6 ponto porcentual inferior a 97.
"O Brasil já teve anos melhores", disse o consultor Ariovaldo Santos, um dos responsáveis pela pesquisa feita para a revista. Em 94, por exemplo, a rentabilidade das companhias listadas por Melhores e Maiores, foi de 7%.
Levando em consideração que a rentabilidade conseguida pelas 500 maiores empresas americana, no balanço feito no ano passado pela Fortune, foi acima de 12%, o Brasil tem deixado a desejar. Mesmo assim, as multinacionais continuam colocando dinheiro novo no Brasil. Por quê? "Elas estão apostando no mercado brasileiro", acredita Santos.
Basta ver o dinheiro que elas investiram na privatização da área de telecomunicações, no ano passado, por exemplo. Aliás, o investimento das companhias estrangeiras, não apenas em telecomunicações, mas em energia e siderurgia, fez com que mudassem algumas posições dentro do balanço de Melhores e Maiores.
No chamado clube do bilhão - empresas que faturam acima de US$ 1 bilhão anual -, algumas, até o balanço de 97, constavam na lista de companhias estatais e agora pertencem ao setor privivado.
Exemplos não faltam: Embratel (US$ 4,252 bilhões), Telesp (US$ 4,496 bilhões) e Light (US$ 2,4 bilhões). Em razão disso, nesse seleto clube não houve grande acréscimo. Em 97, elas reprentavam 57 companhias, número que saltou para 68, no ano passado.
Um dos itens mais curiosos de Melhores e Maiores continua sendo o da Petrobrás. A estatal do petróleo não apenas mantém firma a primeira posição, há anos,em vendas (US$ 21 bilhões), mas principalmente pelo lucro (US$ 788 milhões) e o desembolso que fez em impostos para o governo US$ 8,3 bilhões. Além disso, a estatal é a empresa que paga os melhores salários do Brasil: US$ 2,713 mil, em média.
Vendas - Entre as 20 maiores empresas em vendas do País, pelo menos 12 são estrangeiras, encabeçadas pelas montadoras (Volkswagen, GM, Fiat e Ford), supermercados (Carrefour), distribuidoras de petróleo (Shell) e indústria de cigarros (Souza Cruz). Embora as múltis tenham posição de destaque nas vendas, os maiores patrimônos, no entanto, continuam nas mãos das estatais: Petrobrás, RFFSA, Cesp, Eletronorte e Eletronuclear.
O capital nacional também teve destaque em crescimento de vendas. Treze delas conseguiram desempenho acima de 67% (Camargo Corrêa) chegando a 218% (Cotia Trading. Coube, no entanto, a multinacional Fertilizantes Serrana, do setor de químico, com base em Bermudas, o maior crescimento entre as 500 companhias analisadas por Melhores e Maiores: 286%.
Ao mesmo tempo que as companhias brasileiras tiveram bom desempenho em vendas, elas também amargaram os maiores prejuízos. Das 20 listadas pela revista, 18 são de capital brasileiro, entre elas estão a Globopar, Telerj, Cosipa, Editora Abril, Sharp e Aracruz. A Acesita, empresa de maior prejuízo (US$ 483 milhões) no balanço de 98, não foi a única siderúrgica a trilhar o péssimo desempenho: Cosipa (US$ 273 milhões), Aços Villares (US$ 104 milhões) e Albrás (US$ 59 milhões).
A lista de Melhores e Maiores é feita utilizando como critérios receita operacional bruta, liderança de mercado, rentabilidade, crescimento, liquidez corrente, investimento imobilizado e valor adicionado produzido por empregado.

mockup