Novo Itacolomi - Encravado nas montanhas do Vale do Ivaí, o município de Novo Itacolomi (Centro-Norte) dá uma banana para a formalidade. Literalmente. Segundo o estudo da OIT, a taxa de formalidade laboral na cidade de 2.900 habitantes é de 32,2%, bem abaixo da média nacional, que é de 59,6%, e uma das 30 mais baixas do Estado. A explicação para isso, segundo o prefeito Roberto Munhoz, o Polaco da Pá, é que a força da economia local está na diversificação de pequenas propriedades produtoras principalmente de banana. Os produtores são trabalhadores autônomos sem carteira assinada, mas inscritos no Cadastro de Produtor Rural (CadPro), programa estadual que lhes garante o exercício da atividade com emissão de nota fiscal.
"A maior renda no emprego formal aqui vem da banana. Já devemos ter uns 500 alqueires de produção. Mas o retorno de ICMS vem em sua grande maioria da produção de frango", afirma Munhoz. Em Novo Itacolomi, a prefeitura estimula a produção bancando a doação dos terrenos e a instalação dos barracões industriais. Os microempresários são em sua maioria os próprios produtores. "É uma forma da gente incentivar os produtores da cidade. Tem sido assim nos últimos dez anos, nas gestões anteriores à nossa, e que estamos dando continuidade", diz o prefeito, que já foi vice e não mexe com terra. Ele é funcionário público há 30 anos.
Vera Lúcia Montanari da Silva e o marido, Donizete Ferreira da Silva, vendiam em bicicletas os próprios doces que faziam artesanalmente no sítio do casal. Há 15 anos, ampliaram os negócios, passando a produzir em larga escala. Eles são concessionários de um dos barracões industriais montados pela prefeitura, onde administram com os dois filhos uma fábrica de doces. Ali a banana foi preterida pela paçoca, o doce de leite, os canudos fritos recheados. Vera conta que tem 20 funcionários devidamente registrados. "Alguns eram boias-frias, domésticas, roceiros. Mas hoje em dia está difícil encontrar mão de obra, a maioria das pessoas está empregada", afirma.
A banana tem sido o ganha-pão de José Elias Pereira, de 61 anos, há mais de 20 anos. Ele é o exemplo de produtor que nunca teve carteira assinada. Começou com 700 pés e hoje calcula ter uns 30 mil em um terreno pedregoso de sete alqueires. Antes de plantar banana, José diz, sofreu muito cultivando soja e milho. "Ficava no vermelho todo ano. Com a banana, faço dinheiro todo ano", compara. Os três filhos também são produtores. O mais novo trabalha com ele. Os outros dois, um casal, têm produção própria. "Nossa renda é da banana. Se não fosse ela, estava lascado", brinca o produtor.(D.P.)

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