Equipe de resgate recolhe destroços no local onde a plataforma afundou; no detalhe, momento em que a P-36 submerge
A plataforma brasileira P-36, a maior do mundo, afundou ontem em menos de dez minutos, a 125 km ao longo do litoral do Estado do Rio de Janeiro, levando com ela 1,5 milhão de litros de petróleo. Óleo diesel e petróleo armazenados na P-36 já estão escoando pelo mar e ameaçam o ecossistema na região da bacia de Campos e deve atingir o litoral em cerca de 200 horas, segundo especialistas do governo do Rio.
A Petrobras pôs em ação um plano de emergência organizado há alguns dias para tentar limitar os prejuízos ao meio ambiente.
O secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, André Correia, estimou que serão necessárias ‘‘pelo menos 200 horas para que os 1.500 m3 de petróleo da P-36 cheguem ao litoral, o que significa tempo suficiente para recolher o óleo
e bombeá-lo’’.
Oito dos 26 navios da Petrobras foram acionados, assim como 2800 metros de barragem flutuante. Essas oito embarcações podem bombear até 2,2 milhões de litros de óleo, segundo a empresa, que prevê também usar produtos químicos que permitam o depósito do óleo lentamente no fundo do mar.
A monumental estrutura de aço de 33 mil toneladas, 120 metros de altura e 120 de comprimento, começou a movimentar-se com um grande barulho nas águas do oceano às 10h25. Em menos de dez minutos, a P-36, motivo de orgulho da Petrobras, desapareceu completamente.
As pessoas que estavam a bordo da plataforma P-23, que dava apoio às operações de resgate da P-36, contaram que o primeiro sinal de que o equipamento se desestabilizava e iria afundar foi quando um tonel rolou do ponto mais alto da plataforma, por volta das 10h20. ‘‘Em poucos minutos só dava para ver a ponta de um dos flutuadores’’, relatou uma testemunha do afundamento. Cerca de 60 pessoas que estavam no interior da P-23 subiram para o convés para ver a submersão. ‘‘Não aconteceu correria nem pânico, mas muitos começaram a chorar’’, disse.
Quarenta minutos antes, a direção da Petrobras havia ordenado aos 20 navios de apoio que trabalhavam no resgate a se afastarem da plataforma, cuja inclinação estava perigosamente acentuada.
Ao amanhecer, a P-36 há havia efetuado um brusco movimento que obrigou os navios a se afastarem uma primeira vez.
Agora a P-36 ficará isolada no leito da bacia de Campos. Os nove corpos dos funcionários mortos no acidente não poderão ser resgatados. As explosões na maior plataforam petrolífera do mundo mataram dez pessoas e deixaram um ferido em estado gravíssimo, com 98% do corpo com queimaduras de segundo e terceiro graus.
Segundo a companhia, o acidente trará um prejuízo de 50 milhões de dólares por mês, correspondente à produção de 84.000 barris/dia da P-36. Sua capacidade total de produção de 180.000 barris/dia deveria ser atingida em 2004.
A P-36, avaliada em 400 milhões de dólares, foi assegurada por 500 milhões de dólares pelo Bradesco, Itaú, Unibanco Seguros, AGF Brasil e Tokyo Marine.
O gigantesco posto do Roncador, onde ficava a P-36, foi descoberto em 1996 e suas reservas são estimadas em 2 bilhões de barris de óleo. Fica na bacia de Campos (a 274 km ao norte do RJ). A bacia de Campos compreende 36 campos de petróleo e produz mais de 60% do petróleo brasileiro.

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