Rio, 24 (AE) - A maior parte dos investimentos em projetos da Internet não dá o retorno esperado. O economista da administradora de recursos Mercatto, Paulo Veiga, lembra que três quartos das ações cotadas no Nasdaq (índice que concentra as ações de empresas de tecnologia na Bolsa de Nova York) estão com preços inferiores aos de lançamento. "Comprar ações da Internet é como comprar opções para sua carteira: algumas vão virar pó e outras vão te fazer feliz", diz o analista.
Apesar de não contar com empresas abertas de Internet listadas em bolsas de valores, começam a crescer no Brasil as aplicações em fundos privados deste segmento. A própria Mercatto vai criar um fundo de investimento em empresas emergentes. Outra gestora de recursos, a Investidor Profissional, começou em 23 de fevereiro a negociar na Bolsa de Valores de São Paulo cotas de um fundo fechado voltado para projetos na Internet. "As cotas já tiveram valorização superior a 50% em um mês", afirmou o sócio da Investidor Profissional Cristiano Fonseca.
O executivo atribuiu o bom desempenho das cotas à grande diversificação dos investimentos na carteira do fundo. "Para fugir do risco, a solução é pulverizar as aplicações", alerta. Isso, segundo ele, serve também para os pequenos investidores. "As pessoas devem estar cientes dos riscos, ou seja, não é aconselhável concentrar as aplicações em apenas um ou dois projetos." Desde agosto do ano passado, as bolsas brasileiras começaram a acompanhar o comportamento do índice Nasdaq e pelo menos seis bancos já operam com fundos de Internet. O boom do setor está ocorrendo agora e, segundo analistas, deve se estender por muito tempo. Mas os investidores devem estar atentos ao risco de muitos projetos darem errado.
"De cada dez projetos, cinco viram pó, três conseguem devolver ao investidor apenas o dinheiro aplicado inicialmente e os dois últimos têm valorizações expressivas", revela. Estatística do banco norte-americano Merrill Lynch aponta que 75% dos projetos de Internet desaparecem porque não trazem lucro. O fato é que na minoria bem-sucedida o retorno é tão grande que ofusca o desempenho ruim da maioria. "É um negócio de altíssimo risco", adverte Paulo Veiga.

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