Maior humorista da Colômbia é assassinado a tiros
Bogotá, 13 (AE-ANSA) - O mais popular humorista da Colômbia, Jaime Garzón, de 36 anos, foi assassinado hoje (13), em Bogotá, depois de ter recebido várias ameaças de morte da milícia paramilitar de direita Autodefesas Unidas da Colombia (AUC), de acordo com declarações de pessoas próximas. Garzón, que também era jornalista, foi morto quando se dirigia de carro para a Radionet, onde comandava um programa matinal. A poucas quadras da estação de rádio, dois homens numa motocicleta se aproximaram do veículo e dispararam quatro tiros contra a cabeça de Gazón, informaram as testemunhas. O crime ocorreu por volta das 5h (hora local) desta manhã (13). Recentemente, o chefe da AUC, Carlos Castaño, declarou que Garzón era um "objetivo militar", pois considerava o humorista um simpatizante dos rebeldes de esquerda, revelou o subdiretor da Radionet, Antonio Morales. No entanto, após o assassinato, a AUC enviou uma mensagem via fax à Radio Caracol negando ter qualquer responsabilidade com o crime. A polícia não descarta a hipótese de que os assassinos façam parte da AUC, embora, também trabalhe com outras possibilidades. Com um humor afiado, Jaime Garzón, criou caricaturas de personalidades políticas da Colômbia em programas de rádio e televisão. Ele também trabalhou na tentativa de levar adiante os esfoços para alcançar a paz com os rebeldes de esquerda. Como parte desse trabalho, em várias oportunidades, o humorista usou sua popularidade para aproximar-se dos guerrilheiros e, assim, servir de intermediário entre rebeldes e famílias de vítimas de sequestros. "Ele pode ter sido assassinado por causa de seus esforços humanitários", disse o comandante de polícia nacional, general Rosso José Serrano. A diretora de jornalismo da Radionet, Aida Luz Herrera, informou que o presidente colombiano, Andrés Pastrana, cancelou uma viagem ao interior do país por causa do assassinato de Garzón. "Estamos todos muito confusos e tristes", disse Herrera. Jaime Garzón tornou-se famoso na Colômbia com o personagem "Heriberto de la Calle", que representava um típico engraxate de Bogotá. Um homem simples que fazia perguntas "inocentes", porém, com um humor crítico afiado, do qual não escapava nem o presidente Andrés Pastrana Arango, seu amigo pessoal.





