Maior fazenda
encontrada tem
968 mil hectares
O ‘‘Livro Branco da Grilagem de Terras no Brasil’’ relaciona 40 fazendas em São Paulo, que juntas somam 2,1 milhões de hectares. Os números são superados por Minas Gerais na Região Sudeste, com 138 fazendas e 2,6 milhões de hectares. A expectativa do Ministério de Política Fundiária é que uma parcela destas propriedades seja utilizada para reforma agrária, caso a documentação não seja apresentada.
A maior fazenda encontrada pelo ministério, suspeita de grilagem de terras, é a Fazenda Brasileira de Participações, com 968 mil hectares. Em seguida vem a Fazenda João Addas, com 242 mil hectares. O caso citado como ‘‘retrato da grilagem’’ em São Paulo, no entanto, é o da terceira maior fazenda do Estado, a Ilha Grande, com 193 mil hectares.
A Fazenda Ilha Grande fica no Pontal do Paranapanema, palco recente de vários conflitos pela terra. Segundo levantamento do Ministério de Política Fundiária, a propriedade foi cadastrada em nome de Nestor Orlando Bovolato, que diz ter sido comprada pelo pai, Júlio Bovolato, em 1922, de José Teodoro de Souza, o qual teria recebido as terras de D. Pedro II, em troca de serviços prestados à Coroa. De acordo com o ministério, a Justiça averiguou na década de 30 a legitimidade das escrituras e julgou ‘‘imprestáveis’’ a maior parte dos títulos registrados até o final da década de 20, ‘‘o que inclui a fazenda de Nestor Orlando Bovolato’’. A área está hoje sob ação discriminatória, visando a recuperação para o poder público. Segundo o governo, o cadastro da Fazenda Ilha Grande foi cancelado devido à ‘‘fragilidade dos dados encontrados na documentação apresentada’’.
O menor número de latifúndios ‘‘grilados’’ na Região Sudeste está no Rio de Janeiro, com duas fazendas e 23 mil hectares. No Espírito Santo foram identificados seis latifúndios, que juntos somam 159 mil hectares. Santa Catarina aparece com apenas uma fazenda, de 10 mil hectares, tamanho que o governo federal utilizou como referência para classificar de ‘‘latifúndio’’.

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