Maior entrada de capitais não salva balanço de pagamentos
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domingo, 28 de março de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 29 (AE) - O fluxo de capitais para o País em fevereiro foi positivo em US$ 455 milhões. Ao contrário de janeiro, que registrou generalizada queda no ingresso de recursos, fevereiro representou uma recuperação, afirmou hoje o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes.
O melhor desempenho da conta de capitais (investimentos diversos, empréstimos e financiamentos) em fevereiro não impediu
no entanto, que o saldo de todas as transações do País com o exterior - chamado balanço de pagamentos - registrasse um déficit de US$ 469 milhões, devido, principalmente, ao crescimento da conta de juros.
A perda de reservas no mês foi de US$ 534 milhões no conceito de caixa e de US$ 679 milhões no conceito de liquidez internacional.
A melhora geral no fluxo de capitais não foi suficiente para rolagem de toda a dívida. Os empréstimos e financiamentos, por exemplo, foram deficitários em fevereiro em US$ 1,57 bilhão. Se somados com janeiro, sobe para US$ 2,82 bilhões o que deixou de ser rolado e teve, portanto, que ser pago.
Dívida - A liquidez restritiva do mercado internacional, em janeiro, tanto para os créditos de curto quanto para os de médio prazo, provocou uma queda de US$ 4 bilhões na dívida externa. A dívida externa total atingiu US$ 231 bilhões em janeiro contra US$ 235 bilhões em dezembro de 1995.
Os investimentos diretos, por exemplo, foram da ordem de US$ 1 bilhão, sem contar os US$ 3,8 bilhões da privatização da Telebrás.
Fazendo a conta com a privatização, que resulta num investimento direto de US$ 5,712 bilhões para os dois primeiros meses deste ano, o Banco Central chegou à conclusão de que a necessidade de financiamento externo caiu para 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB). "É o porcentual mais baixo desde março de 1995", destacou o chefe do Depec.
Investimentos - Para o mês de março, segundo Lopes, os investimentos diretos, sem privatização, já somam US$ 1,387 bilhão. Os dados são até o dia 29.
Com relação aos investimentos em bolsa (portfólio), o resultado líquido em fevereiro foi positivo em US$ 149 milhões. Em março até o dia 29, segundo Lopes, o resultado líquido dos investimentos em bolsa também é positivo em US$ 238 milhões.
O Fundo de Investimento de Brasileiros no Exterior (Fiex), que registrou, em janeiro, uma saída, de US$ 1,2 bilhão, em fevereiro registrou ingresso de US$ 123 milhões.
Em março, até o dia 29, o retorno também é positivo em US$ 460 milhões. De acordo com Lopes o desempenho do Fiex em março já reflete a medida adotada pelo BC, obrigando as instituições coligadas aos bancos a retornarem com os recursos investidos.
O desempenho é surpreendente no Fundo de Renda Fixa Capital Estrangeiro. A saída em fevereiro foi de US$ 258 milhões contra uma saída, em janeiro, de US$ 1,2 bilhão. Em março, no entanto, devido à redução do IOF, o Banco Central registra ingresso de recursos de US$ 1,05 bilhão até o dia 29.
A captação de capital de curto prazo foi positiva, em fevereiro, em US$ 416 milhões, embora as operações com instituições no exterior, ou seja, as contas correntes de não residentes (CC5) sejam deficitárias em US$ 522 milhões no mês. Em março, de acordo com o BC, a saída de recursos pela CC5 estava em US$ 547 milhões até o dia 29.


