Paris - Era tão duro que levou quinze anos para ser entalhado: o maior diamante monocristalino já conhecido, uma pedra excepcional de cor negra, será colocado à venda em leilão no dia 27, em Saint-Amand-Montrond, na França.
Esculpido em forma de pêra, o ‘‘Vulcano’’ está encaixado em um broche de prata e ouro branco. Formado por apenas um cristal, o diamante mostra a luz em tom de cobre. Isto lhe valeu seu nome.
‘‘É uma pedra única, com um interior excepcional. Cada vez que a admiro, vejo uma pedra diferente’’, comenta o entalhador Charles Peiffert, que será responsável pela venda a pedido de um colecionador que optou por permanecer anônimo.
O entalhador estima o valor do diamante entre 720 mil e 1,1 milhão de dólares. Em 1988, em Nova York, ‘‘O Incomparável’’, um diamante negro do mesmo tipo e de 400 quilates, foi colocado à venda, mas nenhum comprador se apresentou.
Desta vez, a pedra tem ‘‘somente’’ 178,88 quilates. Em relação à sua procedência, Peiffert faz mistério. ‘‘Pode ter vindo tanto de uma velha mina do Brasil ou da Índia como de uma mina recente da África do Sul’’, disse.
Antes de ser entalhado, o diamante pesava o dobro, pelo menos 380 quilates. Quando a pedra bruta chegou a Amberes (Bélgica), no começo dos anos 80, para ser revendida, ninguém pensou que a tarefa de entalhá-la seria tão árdua. Vários entalhadores fracassaram na missão, e o que conseguiu o fez graças a uma ferramenta especial recoberta de abrasivo feito à base de pó de diamante.
O ‘‘Vulcano’’ está guardado em um banco de Paris. No dia do leilão, os participantes deverão contentar-se com a descrição e o certificado de autenticidade, já que a pedra não será levada a Saint-Amand-Montrond porque a viagem é considerada ‘‘muito perigosa’’.
De qualquer maneira, este diamante é tão excepcional que seria ‘‘invendável’’ em caso de roubo.

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