Curitiba - O Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, que é centro de referência no tratamento do câncer, está utilizando uma nova forma de combate à doença. Trata-se da braquiterapia, que por enquanto está sendo usado apenas em pacientes com câncer de colo de útero ou tumor uterino. A braquiterapia, cujo nome significa ‘‘tratamento de perto’’, provoca menos efeitos colaterias e dá maior chance de cura ao paciente, já que a radiação atinge de forma mais direta o ponto doente do organismo.
  A característica da braquiterapia é a utilização de alta taxa de dose (HDR - High Dose Rate), reduzindo o tempo de exposição do paciente à radiação. Pelo método antigo, com baixa dose de radiação, a paciente tinha que ficar internada três dias, totalmente imóvel. Ela recebia uma semente radioativa, implantada no útero. Para que a fonte radioativa não se movesse, precisava ficar três dias deitada, de barriga para cima, com dieta líquida, sonda e completamente isolada.
  Na braquiterapia, é feita a introdução da semente radioativa Iridium 192. Como é emitida uma dose alta de radiação, a paciente fica apenas 20 minutos a no máximo uma hora com o Iridium no organismo. O procedimento é ambulatorial e em seguida pode ir para casa. Em geral, segundo o médico radioterapeuta Gustavo Smaniotto, são necessárias quatro a cinco sessões semanais. O tratamento é complementado por radioterapia.
  Em breve, o hospital começará a usar a terapia também para casos de câncer de próstata e, posteriormente, para mama. De acordo com Smaniotto, a braquiterapia também tem uso em outros cânceres, entre eles o de pulmão, esôfago e tumores em tecidos conjuntivos.
  ‘‘Além de aumentar a comodidade ao paciente, os efeitos colaterias são menores, e há mais chance de cura, porque tudo é feito com o uso de computador, que calcula com exatidão o local onde o Iridium deve ser colocado para acertar melhor o alvo do tumor. Com isso, outros órgãos, como reto e bexiga, recebem menor dose de radiação’’, explica.
  Para o físico e médico do hospital, Antonio Della Verde Mendonza, é um dos tratamentos mais efetivos por irradiar uma área menor e com maior precisão. Todo planejamento da braquiterapia é realizado em 3D por um programa de computador, que calcula o posicionamento do sistema e os pontos de dose onde a energia vai percorrer o organismo, destruindo as células cancerígenas. ‘‘O programa é dotado de um mecanismo de segurança, que realiza uma simulação para corrigir possíveis falhas, sendo que a dose vai depender do tipo do tumor’’, diz.
  Para implantar o procedimento, o hospital investiu cerca de
US$ 400 mil, entre instalações que exigiram concretagem de 50 centímetros no teto, no piso e nas laterais, equipamentos e a fonte radioativa, que custa
US$ 10 mil cada uma e possui vida útil de três meses. O hospital está atendendo pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), convênios e particulares. Em julho, foram atendidos 16 pacientes com o novo método. O SUS liberou uma cota de atendimento a 12 pacientes por mês. Com a estrutura atual, Smaniotto calcula que o hospital tem capacidade de atender cerca de 60 pessoas mensalmente.

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