São Paulo, 16 (AE) - O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega acredita que a nova composição do ministério vai decepcionar. Isso porque o presidente Fernando Henrique Cardoso gerou uma expectativa grande de apresentar uma nova equipe, capaz de rearticular forças, mas não fez mudanças significativas. "Não é que seja um ministério ruim, é o mesmo"
disse. "É mais um remanejamento da cota pessoal do presidente do que uma mudança grande." Segundo ele, o desgaste e a expectativa, gerados com o pedido do presidente de que toda a equipe pedisse demissão, não "faz jus ao que ele anunciou". Não houve alteração nos ministros indicados tanto pelo PFL como pelo PSDB. "Até parece que a reforma foi só para tirar o Calheiros (ex-ministro da Justiça)", ironizou.
A indicação do ministro da Casa Civil, Clóvis Carvalho, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, segundo Nóbrega, não "traz mudança significativa para a indústria". "Ele não vai ter, assim como o outro ministro (Celso Lafer) não tinha, instrumentos para trabalhar; não tem quadros e as limitações do governo são muito grandes", disse. "Ele passa a gerenciar melhor aquilo que não mudou nada."
Nóbrega acredita, no entanto, que a indicação de Carvalho vai gerar uma expectativa de melhora porque "ele tem fama de ser bom gerente". O fato dele ter ou não conhecimento do setor não é fundamental. O ex-ministro criticou o excesso de expectativas, nutridas por empresários, sobre a ação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. "A classe empresarial não se deu conta que houve mudanças profundas no Brasil; os instrumentos que fizeram ministérios poderosos são coisas do passado." As indicações do relator da Comissão Especial da Reforma Tributária na Câmara, Aloysio Nunes Ferreira (Secretaria-Geral da Presidência) e o ministro Pedro Parente (Casa Civil) são os dois pontos positivos da reforma. De acordo com Nóbrega, Ferreira poderá facilitar a articulação com o Congresso, enquanto Parente será um "grande gerente" no Planalto.

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