São Paulo, 24 (AE) - Ao explicar a redução do juro básico de 22% para 21% ao ano à probabilidade de um aumento de juros nos Estados Unidos e a crise na economia Argentina, o governo adotou um discurso "dúbio". Até agora, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, dizia que a taxa de juros estava vinculada ao desempenho da inflação. Ou seja, os juros eram condicionados ao cenário interno.
A opinião é do ex-ministro Mailson da Nóbrega. "Isso é ruim, porque é um discurso dúbio. E uma das funções do Banco Central é manter a firmeza de sua orientação, porque influencia a atitude futura do mercado", afirmou. Assim, a autoridade monetária estaria deixando o mercado sem "parâmetros de avaliação" para o futuro imediato.
Maílson acha que o Banco Central precisa "ter mais cuidado" no futuro, quando justificar suas decisões. Embora não acredite que a autoridade monetária tenha agido de "forma intencional" ao adotar um discurso dúbio, confundindo o mercado
o ex-ministro admitiu que a instituição já agiu dessa forma no passado, para demonstrar que podia contrariar todas as expectativas.
Se anunciada uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos no próximo dia 29, confirmando as projeções da maioria dos analistas, Maílson acredita que o Banco Central se valerá do viés de baixa e anunciará uma nova redução do juro básico. "Tem espaço para cair abaixo de 20%", disse o ex-ministro, contrariando uma corrente do mercado.
"Se a função do juro for combater a inflação, fica incompatível variar de acordo com os fluxos de capital externo. Não estaríamos, de fato, com uma política de taxa de câmbio flutuante", avaliou Maílson da Nóbrega, admitindo, no entanto, que o País ainda "não tem maturidade" para ter um câmbio flutuante "puro". Uma série de vulnerabilidades, a começar por fundamentos frágeis, justificaria, na prática, um modelo "mestiço", como definiu, na semana passada, Gustavo Franco, com intervenções.

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