Maia quer fazer aliança com senador que saiu do PSDB
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 23 (AE) - O ex-prefeito do Rio César Maia (sem partido) disse hoje que está disposto a fazer uma aliança na próxima eleição municipal com o senador Artur da Távola (RJ), que abandonou o PSDB na semana passada, desde que os partidos escolhidos pelos dois tenham linhas ideológicas semelhantes.
Maia, que namora o PTB, PPB, PPS e PSDB, tinha um encontro marcado hoje à noite com o senador para discutir estratégias eleitorais de 2000.
Távola está de malas prontas para ingressar no PPS ou no PSB e deve se reunir amanhã (24) com o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), em Brasília.
Interlocutores de Maia têm mantido conversas diárias com representantes dos quatro partidos para a avaliação da viabilidade política da filiação do ex-prefeito. Hoje, ele, que pretende disputar a sucessão do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), voltou a falar da intenção em articular até mesmo uma chapa com Távola, que é um potencial candidato à prefeitura do Rio em 2000.
Na avaliação do ex-prefeito, uma aliança com o senador, que tem feito críticas à condução da política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso, iria ao encontro da identidade de posições. Hoje, durante um palestra sobre sistema financeiro, no Rio, Maia voltou a atacar o modelo adotado pelo Banco Central (BC) para a política cambial.
Maia esteve no último fim de semana com o ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, do PPB, e, amanhã, reúne-se com o presidente de honra do PSDB, o ex-governador do Rio Marcello Alencar, para tratar sobre a possiblidade de ingressar no partido. Ele acredita que, até quarta-feira (25), tem uma definição sobre o rumo político. "Não deixaremos o tempo passar porque podemos passar a impressão de que estamos leiloando partidos", disse ele. O ex-prefeito afirmou ainda haver a preocupação em manter um bom relacionamento com todas as legendas que participam da negociação porque elas poderão ser aliadas na eleição de 2000.
Conde, que é candidato à reeleição e ex-aliado de Maia, disse hoje que ainda não sabe quais são os efeitos políticos, caso o ex-prefeito vá para o PSDB ou PTB. "Não sei se minha candidatura poderá ser ameaçada; afinal de contas, eu ganhei sem aliança, e o outro candidato (Sérgio Cabral Filho) tinha dez partidos o apoiando", disse Conde, que é do PFL e foi o pivô da saída de Maia da legenda. Ele afirmou que, na época em que foi lançado a prefeito, em 1996, Maia, que comandava a administração do município do Rio, tinha um índice de popularidade inferior ao de agora. "Estou com 56% de aprovação e ele (Maia) saiu com 52%; se eu chegar em abril com popularidade maior, vai ser melhor ainda."


