Rio, 23 (AE) - O ex-prefeito do Rio César Maia, que deixou o PFL, está pronto para ingressar no PTB. A preferência de Maia, que foi filiado ao PTB no início da carreira política, no entanto, não está impedindo negociações com o PPS, com quem o grupo político dele deve manter conversas amanhã (24).
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), tem uma reunião com o deputado federal Eduardo Paes em Brasília para discutir o futuro político de Maia e do grupo que o acompanhou na decisão de abandonar o PFL.
Na avaliação de interlocutores de Maia, no PTB, ele teria mais liberdade pelo fato de o comando do partido estar afinado com o projeto político do ex-prefeito e não ter muitos caciques. Já no PPS, ele teria de assumir um compromisso com a linha de centro-esquerda da legenda e com a candidatura à Presidência em 2002 do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes.
"Não queremos filiação de carteirinha, mas há alguns projetos do PPS que precisam ser defendidos, caso César Maia e seu grupo entre no partido", declarou o secretário estadual de Ciência e Tecnologia do Rio, o ex-deputado Sérgio Arouca, da executiva estadual do PPS.
Maia voltou a dizer hoje que está disposto a fazer uma aliança na próxima eleição municipal com o senador Artur da Távola (RJ), que abandonou o PSDB na semana passada, desde que os partidos escolhidos pelos dois tenham linhas ideológicas semelhantes. Maia, que namora o PTB, PPB, PPS e PSDB, tinha um encontro marcado hoje à noite com o senador para discutir estratégias eleitorais para 2000. Távola deve ingressar no PPS ou no PSB e deve se reunir amanhã (24) com Freire, em Brasília. "Artur da Távola tem o perfil do PPS", disse Freire.
Interlocutores de Maia têm mantido conversas diárias com representantes dos quatro partidos para a avaliação da viabilidade política da filiação do ex-prefeito. Hoje, ele, que pretende disputar a sucessão do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), voltou a falar da intenção em articular até mesmo uma chapa com Távola, que é um potencial candidato à prefeitura do Rio em 2000.
Na avaliação do ex-prefeito, uma aliança com o senador, que tem feito críticas à condução da política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso, iria ao encontro da identidade de posições. Hoje, durante uma palestra sobre sistema financeiro, no Rio, Maia voltou a atacar o modelo adotado pelo Banco Central (BC) para a política cambial.
Maia esteve no último fim de semana com o ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, do PPB, e, amanhã, reúne-se com o presidente de honra do PSDB, o ex-governador do Rio Marcello Alencar, para tratar sobre a possiblidade de ingressar no partido. Ele acredita que, até quarta-feira (25), tem uma definição sobre o rumo político. "Não deixaremos o tempo passar porque podemos passar a impressão de que estamos leiloando partidos", disse ele. O ex-prefeito afirmou ainda que há a preocupação em manter um bom relacionamento com todas as legendas que participam da negociação porque elas poderão ser aliadas na eleição de 2000.

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