Maia e Alencar selam acordo para filiação do pefelista ao PSDB
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 16 (AE) - O ex-prefeito do Rio César Maia (PFL) e o ex-governador Marcello Alencar (PSDB) fecharam ontem (15) uma aliança, durante um jantar na casa do deputado Ronaldo Cezar Coelho (PSDB), que deverá resultar na filiação do pefelista à legenda tucana e na candidatura dele à prefeitura, em 2000, com o apoio do tucano. Em 1998, pefelistas e tucanos disputaram separados e foram derrotados. "Vamos agir juntos", afirmou Maia. Segundo ele, ficou combinado que o grupo dissidente pefelista Reconstrução, criado pelo ex-prefeito, formará blocos com os tucanos na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e da Câmara Municipal . O grupo de Maia ainda não oficializou a decisão de entrar no PSDB nem a de lançar a candidatura do ex-prefeito, mas ficou acertado que o candidato dele a prefeito sairá do grupo Reconstrução ou do PSDB. A hipótese de apoio ao prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), que quer se reeleger, está afastada. Foi o terceiro encontro de Maia e Alencar em 1999. O ex-prefeito e o ex-governador fizeram a autocrítica do processo eleitoral de 1998, quando, segundo avaliam hoje, deveriam ter deixado as diferenças de lado e unido-se contra a esquerda. As disputas entre os dois políticos, de partidos da base do governo federal, causaram contrangimentos à campanha da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, no Rio. O presidente precisou participar de comícios separados, organizados pelos dois partidos, no mesmo dia.
"Nossa divisão abriu espaço para a volta do populismo (a eleição do governador pedetista Anthony Garotinho)", disse Maia, que admitiu que, em 1998, "estabeleceu a impossibilidade de um entendimento" do PFL com o PSDB. Os participantes do encontro avaliaram que a derrota eleitoral possibilitou "o crescimento do fisiologismo" (do qual a filiação do presidente da Alerj, Sérgio Cabral Filho, ao PMDB, ontem, seria expressão), e fizeram uma avaliação pessimista da conjuntura. "O Rio é sempre plataforma de lançamento nacional das alternativas populistas", disse ele, explicando por que os dois grupos resolveram integrar a ação política.
O movimento de Maia em direção aos tucanos é mais uma resposta à "intervenção branca" da cúpula nacional pefelista no diretório do PFL na capital. Com ela, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (BA), e outros líderes nacionais pefelistas tentaram encerrar a disputa de Maia com Conde pelo controle do partido, impondo uma direção que nenhum dos dois controla sozinho. Os dois políticos, ex-companheiros (e adversários) no PDT, foram aliados no segundo turno da eleição de 1992 (quando Alencar apoiou Maia contra a petista Benedita da Silva) e voltaram a brigar durante o governo do tucano (1995-1998), com duras trocas de ataques.
Durante anos, Maia fez acusações de corrupção contra o governador e os filhos dele, Marco Antônio e Marco Aurélio, e Alencar ridicularizou o ex-prefeito como louco - atitudes agora, aparentemente, esquecidas.


