Maia diz que PFL adota estilo arcaico de fazer política
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Gilse Guedes e Felipe Werneck 
Rio, 19 (AE) - O ex-prefeito César Maia, que deixou ontem (18) o PFL, disse que o comando do partido assumiu um "estilo arcaico" de fazer política no Rio e avisou que a bancada pefelista perderá deputados e vereadores. "Eles quiseram ganhar tempo, pensando que, numa hora, alguém iria entregar os pontos"
afirmou o ex-prefeito, referindo-se à falta de decisão da executiva nacional sobre seu pedido de intervenção no diretório municipal. César Maia, que também criticou a política econômica do presidente Fernando Henrique Cardosp, não descartou, no entanto, a possibilidade de ingressar no PSDB, PPB, partidos da base de sustentação do governo, e PTB.
Ele admitiu que também está em seus planos partidos nanicos, mas não disse quais. Até o dia 30 de agosto, Maia anunciará sua nova legenda e os nomes dos parlamentares que o acompanharão, entre eles seu filho, o deputado Rodrigo Maia, e o deputado Eduardo Paes. O ex-prefeito ainda considera como hipótese unir-se ao senador Artur da Távola, que se desligou do PSDB, para a eleição no Rio. "A coincidência dos nossos destinos pode abrir um espaço no Rio, porque o senador está afinado com meu projeto político para o Rio de Janeiro", declarou Maia.
Segundo ele, mesmo que não ingresse no PSDB, PPB e PTB, faz parte de suas metas para a campanha municipal de 2000 alianças com essas legendas. Antes de deixar o PFL, Maia vinha conversando com o ex-governador Marcello Alencar (PSDB), com o ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles (PPB), e com o presidente da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Sérgio Cabral Filho (PMDB).
Hoje e ontem, Maia recebeu telefonemas de vários políticos, entre os quais do líder do governo no Congresso, deputado Artur Virgílio Neto (PSDB), e do petebista José Carlos Martinez. Ele defende a união dos partidos pensando ainda na campanha presidencial e na disputa pelo governo do Estado em 2002. O ex-prefeito não descartou a possibilidade de deixar de se candidatar no próximo ano e disputar o governo em 2002.
Segundo Maia, Virgílio argumenta ser necessária união para combater os problemas do Rio. Sobre os embates com o tucano na campanha para governo em 1998, em que saiu derrotado da eleição, o ex-prefeito afirmou que isso é algo do passado. Irônico, o deputado chegou a dizer durante a campanha que não entregaria seu filho a César Maia para que o levasse na escola. "Ele estava falando sobre uma posição como babá, mas nós estamos tratando de política", declarou o ex-prefeito. Na próxima semana, ele vai participar de uma reunião com o comando estadual do PSDB no Rio.
Ele não poupou críticas ao prefeito Luiz Paulo Conde, que anunciou que será candidato à reeleição. "Repito o que Gustavo Krause disse uma vez: depois de uma certa idade, não se aprende mais a andar de bicicleta, a nadar e a fazer política", disse o ex-prefeito referindo-se à falta de experiência política de Conde. Maia também atacou os presidentes dos diretórios municipal, deputado Rubem Medina (RJ), e estadual, deputado Arolde de Oliveira (RJ). "Não sei se a camisa que Medina veste é pública ou privada".
PT - A vice governadora do Rio, Benedita da Silva (PT), disse hoje que a saída de César Maia do PFL poderá vir a beneficiar sua provável candidatura na eleição para a prefeitura da cidade, no ano que vem. "Se a esquerda mantiver sua aliança, com certeza sai fortalecida", afirmou, referindo-se à suposta "divisão dos eleitores de centro-direita" entre as prováveis candidaturas de Maia e de Conde.


