Rio, 11 (AE) - O ex-prefeito do Rio Cesar Maia deu prazo até o fim do mês para que o PFL se decida por seu nome como candidato à prefeitura do Rio em 2000, caso contrário deixará o partido. "O rompimento (com o grupo do prefeito Luiz Paulo Conde) é completo, não há retorno", disse Maia hoje. "O ganha-tempo acabou." Para Maia, a candidatura é inarredável, e a decisão deve ser este mês devido à proximidade do fim do prazo de filiação para quem quiser ser candidato (início de outubro) e à necessidade de montar a chapa de postulantes a vereador.
"O PFL nacional vai ter que dizer sim ou não à minha candidatura", disse ele. "Se o partido disser que não me quer como candidato, vou procurar um caminho para sê-lo." Maia, que tem conversado com políticos do PPB, PTB, PMDB e PSDB, pedira uma definição sobre as candidaturas à prefeitura do Rio à executiva nacional do partido, pois considera a situação insustentável. "Disseram-me que a definição viria a tempo e a hora, mas os acontecimentos dos últimos dias precipitaram as coisas", ressaltou. Ele disse, contudo, não trabalhar com a hipótese de não ser o candidato do PFL em 2000.
Maia já prepara abertamente a sua candidatura a prefeito do Rio. Na última segunda-feira, integrantes de sua facção, a Reconstrução-PFL (R-PFL) participaram de seminário no Hotel Glória, visando à campanha; outro já está sendo preparado. Um documento de defesa da candidatura do ex-prefeito circula dentro do partido, antecipando o discurso que o pefelista prepara para pavimentar sua volta para o Palácio da Cidade (sede do governo municipal). Integrantes da ala "cesarista" mantêm dura oposição a Conde na Assembléia Legislativa e na Câmara, votando contra as propostas do prefeito.
"Minha candidatura está colocada a partir de meu crescimento eleitoral na cidade, nas eleições de 1992, 1996 e 1998", afirmou ele. Maia disse que um grupo de políticos o procurou, preocupado com os rumos da cidade, e reivindicou que fosse candidato, de preferência pelo PFL. "Corremos o risco de voltar ao ciclo de decadência que antecipou a Rio-92", disse ele.
O ex-prefeito destacou dois pontos que balizam a sua candidatura. Um é a defesa do município contra o descontrole da violência, que atinge mais os pobres e a classe média, a deterioração do mercado de trabalho e uma "onda de provincianismo". Outro é a oposição ao governador Anthony Garotinho (PDT), a seu "populismo difuso" e à sua suposta "inaptidão para administrar", e ao prefeito Conde, cujo governo, afirmou, é "inercial", ou seja, apenas completa as linhas do governo Maia, que o precedeu e elegeu.
"A prefeitura do Rio está sem fôlego financeiro, em situação depressiva", disse ele. "Do ponto de vista econômico, vai quebrar em dezembro; do financeiro, não, mas vai aumentar os restos a pagar (contas de uma gestão que, por falta de dinheiro, têm seu pagamento postergado para o ano seguinte). Maia afirmou que "sempre será reconhecido ao PFL pelas oportunidades que recebeu do partido", mas lembrou que foi para a legenda em 1995
a convite do senador Jorge Bornhausen (SC), que lhe propôs um projeto: fazer o partido, segundo ele, na época, "clandestino" na cidade, crescer. "Está executado", disse.

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