Magno Malta admite ter recebido mil bonés de suspeito
Magno Malta admite ter recebido mil bonés de suspeito13/Mar, 16:23 Por João Naves de Oliveira Campo Grande, 13 (AE) - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico da Camara dos Deputados, Magno Malta (PTB-ES), admitiu hoje, em Campo Grande, ter recebido mil bonés para a campanha que o elegeu deputado, do diretor da Assembléia Legislativa do Espírito Santo André Luís Nogueira, um dos suspeitos de envolvimento com o crime organizado naquele Estado. Para Malta, "as doações são estritamente legais". Ele ressaltou que não tinha conhecimento sobre as suspeitas em torno de Nogueira. "Nogueira é meu amigo; jogamos muitas peladas juntos no time da Assembléia Legislativa do Espírito Santo; eu não sabia, na época, desse possível envolvimento; também não ia adivinhar que eu seria o presidente da comissão de inquérito sobre o narcotráfico", afirmou. Malta, de 40 anos, diz que não participou das investigações da CPI do Narcotráfico em Vitória. "Se a comissão optar por novas investigações em Vitória, também não quero participar desse trabalho." Ele explicou que o posicionamento está ligado única e exclusivamente ao fato de que a presença dele numa nova investida da CPI do Narcotráfico em Vitória deixará transparente "brechas" para suspeitas sobre perseguições políticas que partiriam da atuação dele nas investigações. "Eu não pretendo nenhum cargo nas próximas eleições e nem mesmo nas majoritárias; meu único objetivo é continuar presidindo a CPI; um reporter de 'O Estado' perguntou-me se me candidataria ao Senado; eu respondi que não; minha posição é essa", garantiu. Hoje, a comissão presidida por Malta ouviu o secretário estadual de Segurança Pública, Franklin Mashura, os delegados da Superintendência Regional de Polícia Federal (PF) e alguns agentes sobre os esquemas do narcotráfico no Mato Grosso do Sul. Amanhã (14), vai ouvir cinco suspeitos apontados pela PF como participantes das maiores quadrilhas de narcotraficantes do Mato Grosso do Sul, entre eles Lucila Israel e Pedro Oscar, membros do grupo que era dirigido por "D. Pepito'', morto no Paraguai há três anos. Além deles, serão ouvidos o ex-policial militar Aparecido José Vasconcelos, especializado em jogar pacotes de cocaiana de aviões dentro de fazendas usadas pelos traficantes. Ele foi preso em 1999 com 125 quilos de cocaiana pura. Também será ouvido no mesmo dia Orlando Cardoso, membro da ala do narcotrafico que era comandada pelo ex-prefeito de Maracajú, a leste do Estado e a 170 quilômetros de Campo Grande, Jair do Couto. O deputado esclareceu que a CPI ainda não está instalada no Mato Grosso do Sul. Esta semana, acontecerão várias diligências em Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Corumbá, para apurar denúncias recolhidas pela PF sobre organizações que financiam a compra de cocaína na Bolívia. De acordo com os subsídios levantados, a comissão decidirá sobre a instalação ou não da CPI no Mato Grosso do Sul.





