Santos, SP, 14 (AE) - O juiz aposentado Jomar Antônio Camarinha, que respondia pela 2.a Vara Criminal de Santos (SP), em 1995, afirmou hoje que não lembra do processo no qual absolveu o traficante José Cláudio Delgado, naquele ano. Ele ironizou hoje as acusações feitas pelo traficante, segundo as quais teria "facilidade de comprar o juiz da 2.a Vara".
"Ele não tem onde cair morto e eu nem me lembrava desse processo", comentou. De acordo com reportagem publicada na edição de hoje do jornal "A Tribuna", de Santos, num relatório feito pela Delegacia de Investigações Gerais Sobre Entorpecentes (Dise) da cidade, em 1995, contra Delgado e o filho dele Wagner Lúcio Delgado, o traficante diz que teria facilidade para comprar a absolvição na 2.a Vara Criminal.
Em 1995, Camarinha absolveu Cláudio Delgado, mas a sentença foi revista pelo Tribunal de Justiça (TJ), que o condenou.
Camarinha não pretende depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico da Assembléia Legislativa: "Rebater acusação de traficante é uma coisa ridícula, um absurdo; aliás, eu nem me lembrava mais desse processo; só faço aquilo que o Tribunal de Justiça determinar", enfatizou o juiz.
Os parlamentares paulistas decidiram analisar todas as sentenças proferidas por Camarinha nos processos de acusação de tráfico, a fim de verificar se houve absolvições injustificadas. Eles aprovaram ainda a convocação do presidente da Câmara de Santos, Carlos Mantovani Calejon (PPB), do ex-vereador santista Paulo Bonavides (PPB) e do vereador José Nilton de Lima Oliveira (PSDB), mais conhecido como "Doidão", do Guarujá (SP), com o objetivo de apurar se eles estão envolvidos com o traficante.
Hoje, Calejon afirmou que, assim que o nome surgiu na CPI, enviou um telegrama fonado ao presidente da comissão, Dimas Ramalho (PMDB), pondo-se -se à disposição para prestar esclarecimentos.
"Não tenho nem nunca tive ligação com traficantes; conheço, na cidade, do padre ao bandido, mas nunca me envolvi com gente ligada a drogas."
De acordo com o presidente do Legislativo santista, Cláudio Delgado está à frente da Escola de Samba Bandeirantes, que reúne moradores do Saboó, na zona noroeste da cidade. Calejon admite que ajudou a agremiação e, há alguns, fez uma coleta para comprar remédios para o traficante. Ele foi cabo eleitoral do vereador na campanha de 1996, mas Calejon afirma que o traficante trabalhou para ele por ser ligado à escola de samba e do Clube Bandeirantes.
Bonavides, que é advogado criminalista, foi acusado pelo traficante por o ter defendido gratuitamente num processo em que é acusado de formação de quadrilha. Já o vereador do Guarujá será convocado pela CPI porque aparece em fita de vídeo e numa foto ao lado de traficantes da região. Hoje, os dois não foram encontrados responder às acusações.

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