Curitiba- O concurso da Companhia Paranaense de Energia (Copel), realizado em 2003, para contratação de eletricistas e teleatendentes foi fraudado por integrantes da máfia dos concursos, quadrilha desmantelada pela Polícia Civil do Distrito Federal. A informação é do diretor de comunicação da corporação, delegado Miguel Lucena, ao afirmar que a quadrilha tinha ramificações em vários Estados e o Paraná era um deles.
Até agora já foram expedidos 104 mandatos de prisão para integrantes e colaboradoras da máfia dos concursos. A Polícia Civil do Distrito Federal vem investigando as fraudes em concursos públicos em todo o País desde novembro do ano passado, na chamada Operação Galileu.
Lucena não soube dizer quantas vagas foram preenchidas em função de fraudes no concurso da Copel. Mas adiantou que são poucas, conforme os depoimentos que estão sendo prestados em Brasília por chefes da quadrilha. Ele adiantou, porém que a prova não será cancelada.
As informações sobre as fraudes e as pessoas envolvidas devem ser repassadas à Copel e à polícia do Paraná, para que sejam identificadas. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), devem ser afastadas apenas as pessoas que comprovadamente se envolveram com a quadrilha, para que as vagas sejam ocupadas por outras pessoas que fizeram o mesmo concurso e estão na espera de serem chamadas. ''O concurso não pode ser anulado para não prejudicar quem passou honestamente'', disse o delegado.
Lucena descartou a participação de funcionários ou da instituição que promoveu o concurso na fraude. Segundo ele, depoimentos comprovam a compra de gabaritos por valores entre R$ 20 mil a R$ 30 mil. O delegado citou depoimento do suposto líder da máfia dos concursos, Helio Ortiz, que contou como foi o procedimento da venda de vagas no Paraná.
A máfia teria inscrito professores especialistas no concurso, que entravam no recinto de prova e conseguiam fazer a prova rapidamente. Quando saíam, repassavam as respostas do gabarito por pontos eletrônicos cedidos aos candidatos que se dispunham a pagar por elas. Segundo Lucena, mais de 30 pessoas pertencentes à quadrilha estão presas em Brasilia.
O concurso para contratação de 225 teleatendentes e 152 eletricistas foi realizado em agosto e setembro de 2003. Inscreveram-se 104.587 pessoas para a disputa de 377 vagas. O salário inicial dos teleatendentes na época do concurso era de R$ 607,44 e de eletricista, R$ 638,00. Os salários seriam acrescidos de um auxílio-alimentação no valor de R$ 301,00 mais os benefícios assistenciais da Fundacão Copel como previdenciários e convênios médico e odontológico.

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