Máfia dos Fiscais: delegados dizem que haverá mais prisões
São Paulo, 28 (AE) - Esta semana devem ser presas várias pessoas acusadas de participar da máfia dos fiscais da Prefeitura de São Paulo. É o que anunciam os dois delegados que cuidam do caso, no centro e na zona leste de cidade. Hoje Naief Saad Neto, titular da Divisão de Registros Diversos da Polícia Civil, passou o dia tomando "providências legais", como a emissão de intimações para depoimento de pessoas que podem ter sido vítimas de extorsão. Só na área da Administração Regional da Penha, os investigadores vão entregar 46 intimações. O delegado também pediu a renovação de quatro pedidos de prisão temporária.
O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público Estadual (MPE), confirmou que devem ocorrer prisões nas próximas horas. Blat não quis revelar nomes "para não atrapalhar as investigações em curso, que são muitas". Ele disse que os estacionamentos têm um esquema de distribuição de caixinha no valor de R$ 2,4 milhões por mês para as regionais. Segundo o promotor, as 27 regionais têm uma relação de estacionamentos irregulares que, porém, não são multados porque contribuem. "É uma lista que circula de cima para baixo", explicou. "Os fiscais recebem a sua parte, mas o valor mais alto vai para essa cúpula que está sendo investigada."
O delegado Romeu Tuma Júnior, responsável pelas apurações no centro, formalizou hoje o reconhecimento de Marcelo Henrique da Silva Bento, que teria disparado quatro tiros contra o ambulante Afonso José da Silva. Ele passou o fim de semana ouvindo testemunhas que apontam Bento como envolvido na tentativa de homicídio.
Hoje o senador Edurardo Suplicy (PT-SP) visitou Silva, que está na Santa Casa desde o atentado no dia 21. O político deve pedir amanhã ao secretário estadual de Segurança, Marco Vinício Petrelluzzi, aumento do efetivo policial à disposição da força-tarefa que apura a corrupção nas regionais.
O camelô José Ricardo Teixeira da Silva, o Alemão, voltou a acusar o ex-secretário das Administrações Regionais, Alfredo Savelli. Desta vez, de privilegiar com os melhores pontos no Brás lojistas que tinham bancas, prejudicando os camelôs. Savelli disse que quer depor, para negar as acusações.





