Cuiabá- Dois meses depois da Operação Curupira, da Polícia Federal, quando 127 pessoas foram presas acusadas de integrar a maior quadrilha especializada em extração ilegal e venda de madeira na Amazônia, uma ramificação da organização criminosa continua falsificando Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs) em Mato Grosso. A revelação é da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que em 60 dias aprendeu 55 carretas com notas fiscais adulteradas ou falsificadas apenas na Grande Cuiabá.
Apesar da fiscalização, para a Polícia Federal, madeireiros e despachantes continuam agindo em todo o Estado com ou sem a participação de servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da extinta Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema). ''Grupos continuam fabricando e distribuindo ATPFs falsas em Mato Grosso. Estamos em desdobramento da Operação Curupira para desarticular esses grupos que ainda persistem em cometer crimes ambientais no Estado'', disse o superintendente da Polícia Federal, Aldair da Rocha.
O esquema de fraude em Mato Grosso envolvendo servidores do Ibama levou o Ministério do Meio Ambiente a decretar intervenção no órgão. O prazo da intervenção encerrou-se ontem. A transição trouxe mudanças no cenário ambiental do Estado, mas não foi suficiente para resolver o problema da exploração ilegal de madeira. O interventor Elielson Ayres informou que as empresas que querem continuar explorando madeira no Estado terão que cumprir a legislação. ''A empresa sabe quais documentos ela tem que entregar ao Ibama. Se não era exigido anteriormente, não é por culpa dos servidores que estão aqui, mas por irresponsabilidade daqueles que saíram. E as empresas que não se recadastrarem não vão participar da atividade madeireira'', afirmou Ayres.
Dos 127 detidos acusados de desmatamentos, 12 continuam presos, entre eles, o ex-chefe de fiscalização do Ibama, Marcos Pinto Gomes. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), ele coordenava as atividades ilícitas dos servidores do órgão ambiental. Gomes seria responsável por organizar a escala de trabalho de um posto fiscal da PRF para possibilitar a passagem de caminhões carregados de madeiras ilegais. Ele também estaria envolvido na aprovação de créditos florestais fictícios e na validação de empresas fantasmas.
Técnicos do Ibama avaliam que para recuperar a área devastada pela ''máfia da madeira'' serão necessários R$ 108 milhões. A quadrilha teria desmatado 43 mil hectares - o equivalente a 52 mil campos de futebol - na Amazônia para retirar, ilegalmente, 1,9 milhão de metros cúbicos de madeira. A madeira retirada dessa área tinha como destino a Europa e daria para encher 66 mil caminhões que, enfileirados, ocupariam 2.380 quilômetros, distância entre Salvador e Curitiba.

mockup