Havana, 27 (AE-ANSA) - Fidel Castro responsabilizou a "máfia anticubana" da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA) e alguns legisladores americanos por influenciar o governo de Bill Clinton, torpedear acordos migratórios bilaterais e sabotar um eventual acordo sobre narcotráfico.
O presidente cubano acusou os senadores republicanos Jesse Helms e Dan Burton, autores da lei que reforçou o bloqueio à ilha em 1996, e congressistas de origem cubana de sabotarem um acordo antidrogas entre os dois países.
"Ao sabotar este acordo, se convertem objetivamente nos maiores aliados do narcotráfico e sobre eles recai por inteiro o elevado grau de responsabilidade pelas centenas de toneladas de várias drogas que vão parar nas mãos dos jovens e adolescentes americanos", sublinhou Fidel.
O líder cubano falou durante a noite de ontem por quase cinco horas na província de Cienfuegos, nas comemorações do 46º aniversário do Assalto ao Quartel de Moncada.
Durante seu discurso, Fidel afirmou que Cuba, por sua posição geográfica, é o ponto mais estratégico do hemisfério para combater o narcotráfico e identificou a zona do canal das Bahamas como a rota preferida pelos traficantes para transportar drogas para os Estados Unidos.
"A máfia de Miami e seus aliados no Congresso têm conseguido retardar por vários meses o entendimento entre Cuba e os Estados Unidos neste setor. Bastardos interesses políticos e o ódio contra um povo que não conseguiram dobrar e que querem destruir os inspira", denunciou Fidel.
O líder cubano reiterou a decisão de seu governo de seguir lutando contra o narcotráfico, apesar de os Estados Unidos continuarem rechaçando um acordo de cooperação para este fim com a ilha, "pressionados por politiqueiros irresponsáveis", disse.
Fidel lembrou também a "exemplar sanção" contra um grupo de altos oficiais cubanos que foram fuzilados em 1989 depois de comprovado que se envolveram com traficantes, entre eles o general Arnaldo Ochoa, herói militar cubano em Angola.
Fidel disse que Cuba não pede nada em troca de um convênio com os Estados Unidos na luta antidrogas e recordou que o país mantém 23 acordos oficiais com países neste sentido e coopera com outros 17 porque a luta tem caráter étnico em nível nacional e internacional.
Os Estados Unidos, disse Fidel, deveriam ser os maiores interessados em um acordo do tipo já que 30% da droga que chega ao país procedente da Colômbia passa pelo Caribe.

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