Mães tentam criar associação
As sequelas mais comuns presentes nas vítimas são os desvios de comportamento, comprometimento do quadro emocional, distúrbios severos de sono, dificuldade de aprendizado, o isolamento social, conduta regressiva e precocidade sexual.
Minha filha de nove anos desenvolveu tamanha angústia diante das barbaridades sexuais que o pai aprontava com ela, que virou diabética e, hoje, toma três injeções diárias de insulina, afirma uma das 30 mães cariocas que estão formando uma associação para sensibilizar a Justiça a acreditar nas versões das crianças e dos laudos psiquiátricos realizados.
Nestes casos as mães cariocas estão recorrendo a duas ações: impedir que os pais vejam seus filhos e lutando pela perda do poder pátrio deles.
As formas de violência sexual são várias. O pior é que a pesquisa revela que a situação só é descoberta, em média, depois de dois a cinco anos do início da violência sexual.
A violência sexual incestuosa submete a criança ao poderoso segredo da sedução parental. Lançada no círculo da solidão, do medo e da angústia, só há lugar para a criança enquanto objeto do tirano íntimo, afirmou a coordenadora da clínica, a psiquiatra Graça Pizá.
Pizá vem recebendo reconhecimento internacional por ter criado um método de atendimento a essas crianças que, além da violência sexual, passam a viver um pesadelo após suas mães assumirem ações na Justiça contra os agressores.
As crianças são obrigadas a ir ao Instituto Médico-Legal (IML), onde os profissionais não estão preparados para o atendimento de casos tão delicados como esses, segundo o oficial de projetos Mário Volpi do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). (A.E.)





