Curitiba – Mães de duas entre tantas meninas que tiveram suas vidas abreviadas de forma brutal no Paraná se uniram ontem em um protesto contra a violência de gênero, no centro de Curitiba. Cleusa Cadoná da Silva e Maria Cristina Lobo Oliveira convivem com a dor da perda das filhas, Tayná Adriane e Rachel Genofre, mortas aos 14 anos, em 2013, e aos nove anos, em 2008, respectivamente. Até hoje, os suspeitos de cometerem os assassinatos não foram sequer identificados. Ambos os inquéritos seguem abertos, sob segredo de Justiça, e são conduzidos pelo delegado Marcelo Lemos de Oliveira.
O ato começou por volta das 15 horas, na Praça Rui Barbosa, no ponto de ônibus Vila Rex, linha que Rachel utilizava para retornar da escola. De lá, os manifestantes, a maioria membros de movimentos sociais, amigos e parentes das vítimas, seguiram em marcha fúnebre até a Rodoferroviária, onde o corpo da estudante foi encontrado em uma mala, há exatos sete anos, com sinais de estrangulamento e espancamento. "Quem matou Rachel? Quem matou Tayná? O movimento feminista quer Justiça já", gritavam.
"A minha fé é que me mantém nesta luta, porque, com o passar do tempo, as pistas vão se fragmentando mais. A única coisa que se tem é o DNA. Não há uma linha que defina a investigação. A polícia continua investigando para tudo quanto é lado, e isso quando tem recurso. É muito difícil e pesado", desabafou Maria Cristina. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) confirmou que mais de 200 exames com o perfil genético da garota já foram feitos, na tentativa de se encontrar o autor do crime. O processo possui oito volumes e mais de 2,5 mil páginas.
"A vida hoje é acordar, cumprir o que tenho como obrigação e arregaçar as mangas na luta contra a violência. É assustador saber que aconteceram tantos erros no inquérito. Mas pior ainda é, num outro dia, verificar que outra menina foi vítima, da mesma forma", completou a mãe de Rachel. Ela frisou ainda que, mesmo não sendo especialista no assunto, consegue apontar uma série de problemas na apuração do homicídio. "Não foi feito um isolamento da cena onde (o corpo) foi encontrado, a autópsia foi totalmente superficial e por aí vai; seria o básico. Parece que um ET a abduziu da terra e depois a colocou ali, porque não se tem noção."
Cleusa Cadoná contou que precisou juntar forças para participar do protesto. "Ficamos indignadas com tudo o que está acontecendo. Estamos juntas nesta luta, com a mesma saudade. Acredito que a dor dela é até maior do que a minha, pela situação em que a menina foi encontrada", afirmou. A mãe de Tayná relatou que, passados mais de dois anos do assassinato da filha, continua com dificuldades para dormir à noite. "Chega 3 ou 4 horas da manhã e não adianta, o sono não vem. As lembranças são muitas. Até para vir até aqui. Lembro quando ela veio da praia num dia e desceu do ônibus." A adolescente desapareceu em 23 de julho de 2013 e foi encontrada morta três dias depois, em um poço num matagal em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

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