Mães que perderam os filhos criticam a Justiça
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sexta-feira, 04 de junho de 1999
Por Arnaldo Galvão 
São Paulo, 5 (AE) - Não são poucas as mães de Jundiaí que se sentem traídas pela Justiça. Suas versões para explicar a perda dos filhos passam pela desinformação e pela precária assistência judiciária. Carentes, elas não têm dinheiro para pagar advogados e somente passaram a ser defendidas por procuradores do Estado quando a imprensa começou a publicar reportagens sobre as suspeitas de irregularidades em processos de destituição do pátrio poder e adoções internacionais em Jundiaí.
Não são apenas as mães biológicas que reclamam das sentenças do juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira. Cilza Maria Colombo Andriani tentou adotar um menino de dois meses que estava doente. Apesar de aprovada pela avaliação da assistente social, foi preterida, segundo ela, "sem explicações".
Sem registro - Em 16 de março de 1997, Cilza queria ajudar um casal muito pobre que vive numa fazenda da região. Ela levou Fábio da Silva Maciel ao médico e tinha o consentimento dos pais da criança para a adoção.
No dia 20 de março, ela conta que procurou o Fórum de Jundiaí e, como Fábio não tinha sido registrado, não poderia dar entrada no pedido de adoção. "No mesmo dia o Agiani - Ademir Agiani, comissário de menores que auxiliava Beethoven - e uma assistente social vieram à minha casa e levaram o nenê, prometendo que seria devolvido no dia seguinte, mas nunca mais pude vê-lo", disse Cilza.
Em novembro de 1998 ela conseguiu falar com o juiz Beethoven, que segundo ela, admitiu o erro. "O juiz ainda aconselhou-me a desistir do processo e disse que poderia pagar os honorários do advogado", disse Cilza. Beethoven nega todos os detalhes da versão de Cilza, contesta que teria admitido erro e disse que apenas decidiu o melhor para a criança. O caso ainda aguarda o julgamento de um recurso no Tribunal de Justiça (TJ).
Silvana Barbosa Pereira, de 36 anos, é muito pobre e mora em uma casebre no bairro do Varjão, em Jundiaí. Os vizinhos dizem que ela e o marido são alcoólatras e não ofereciam as mínimas condições de dignidade às quatro filhas. Márcia Graciele
de 11 anos, Amanda, de 9, Suelen, de 7, e Franciele, de 5, teriam sido adotadas em 1994 por dois casais italianos.
Discussão - Ela nega as acusações de maus tratos e conta que, grávida de 7 meses, não pôde resistir quando Ademir Agiani, o comissário de menores que dirigia a viatura apelidada de "Cata Criança", foi buscar seus filhos. De acordo com Silvana, seu marido estava internado por causa de um acidente de trabalho e ela foi até o fórum tentar recuperar as crianças. "Acabei discutindo com a ¶ngela e com o Agiani; ele me empurrou, caí de uma escada e perdi meu quinto filho." Ela disse que nunca foi ouvida por Beethoven. "Tiraram uma menina de onze meses dos meus braços."
A auxiliar de enfermagem Maria Aparecida Salles quer Camila, de 13 anos, Rafael, de 10, e Aline, de 9, de volta. Segundo ela, as crianças estão vivendo na Itália com Massimo e Maria, seus pais adotivos. "Nunca concordei em dar meus filhos."
Na versão de Maria Aparecida, em setembro de 1994, seu pai foi até o Fórum de Jundiaí pedir que Adilson, o pai das crianças, respeitasse um horário de visita dos filhos. Ela ouviu que teria cinco dias para providenciar uma casa adequada para morar com as crianças, que estariam abandonadas.
"Em 9 de setembro levei meus três filhos ao fórum para impedir que eles passassem vergonha na escola e nunca mais os vi", diz. O juiz nega qualquer irregularidade e diz que trata-se de arrependimento da mãe.


