Cerca de 200 manifestantes da Caravana das Mães contra as Armas e a Violência, grupo formado por mulheres que perderam os filhos e maridos assassinados, afixaram ontem 144 cruzes no gramado em frente ao Congresso para exigir a redução dos índices de violência no País. As cruzes simbolizavam o número de pessoas que morrem assassinadas por dia no Brasil. O ato contou com caravanas de mães de Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.
Segundo estatística da organização não-governamental carioca Viva Rio, ocorre atualmente no Brasil uma morte a cada dez minutos, seis por hora e 144 por dia. O protesto também teve como meta apressar a aprovação do projeto que proíbe a comercialização de armas, que foi retirada de pauta no Senado, no início da semana. Além de visitarem o ministro da Justiça, José Gregori, as manifestantes realizaram uma passeata pela Esplanada dos Ministérios.
‘‘A questão da violência é uma demanda nacional’’, disse Gregori. O ministro espera que o Congresso aprove o projeto da venda de armas até o final deste ano. Depois da passeata, os manifestantes foram recebidos pelos presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de quem pediram o empenho para a aprovação do projeto que restringe a venda de armas, entre outras propostas de controle da violência. Entretanto, depois de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foi retirado de pauta da Comissão de Defesa Nacional, sem prazo para retornar à discussão.
Estudo da Instituto Sou da Paz, de São Paulo, revela que nos últimos 20 anos, o número de assassinatos cresceu 273%, o equivalente a sete vezes mais que o crescimento populacional. Em 1998, por exemplo, quase 50 mil pessoas foram mortas, sendo cerca de 45 mil vítimas do uso de armas de fogo. Entre as vítimas, os jovens são os mais afetados pela violência com armas de fogo – só em 98 mais de 6,8 mil jovens entre 10 e 19 anos foram assassinados no País. O estudo mostra também que as armas de fogo causam um custo de R$ 200 milhões por ano ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Compromisso Até o final deste ano, o governo vai repassar recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para o combate à violência e à criminalidade para todos os Estados, anunciou ontem o ministro da Justiça, José Gregori, que assinou a liberação de R$ 52 milhões do Fundo beneficiando Alagoas, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Piauí, Roraima e Tocantins. A maior parcela, de R$ 10 milhões, será repassada ao Pará.
Desde o seu lançamento, em junho, o Plano Nacional de Segurança Pública já liberou recursos da ordem de R$ 138 milhões. A previsão do governo é investir este ano R$ 300 milhões em segurança pública. Para Gregori, o plano tem conseguido bons resultados.

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