Mães paranaenses comemoram decisão
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Após três dias de muitas discussões sobre a lei de Biossegurança, aprovada anteontem na Câmara de Deputados em Brasília, as paranaenses Adriane Lopper e Andréia Pessoa comemoram ontem com suas famílias a possibilidade de encontrar a cura para a atrofia espinhal, doença genética que afeta os filhos delas. A lei, que ainda precisa ter a sanção do presidente, autoriza a utilização de células-tronco embrionárias congeladas há mais de três anos em pesquisas terapeuticas.
A curitibana Adriane Lopper considerou que a aprovação da lei, com 366 votos a favor, 59 contra, foi uma vitória do bom senso. ''Sabemos que a lei não vai trazer a cura para nossos filhos, mas ela reforça a nossa esperança'', desabafou. Adriane é mãe do menino Fernando Lopper, de oito anos, que foi internado aos oito meses de idade e desde então nunca saiu do hospital. Atualmente, ele está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Pequeno Príncipe em Curitiba.
A doença de Fernando é igual a de Maria Eduarda Pessoa, de cinco anos, filha da londrinense Andréia. A atrofia espinhal impede a transferência de ordens cerebrais para o resto do corpo, o que pode resultar no mau funcionamento dos pulmões e do coração. ''É muito bom saber que um dia a minha filha vai poder sair correndo por aí'', disse Andréia. Ela descobriu a doença de Maria Eduarda quando a menina tinha uma ano e meio. Diferente de Fernando, a garota anda e conversa com dificuldade.
Após a aprovação, as mães admitiram que a experiência em Brasília foi estressante. ''Foi difícil ouvir gente falando que Jesus sofreu e por que nós não poderíamos sofrer também'', relembrou Adriane. No ínicio da votação elas esperavam 137 votos contra, de parlamentares que já tinham manisfestado suas opiniões. ''Acredito que muitos eram contra porque não tinham informações corretas sobre o assunto'', concluiu Adriane.


