Mais de 50 familiares de pessoas com deficências físicas e doenças genéticas ainda sem cura, reuniram-se ontem em Brasília para sensibilizar os parlamentares sobre a importância das pesquisas com células-tronco embrionárias para o avanço da medicina. Amanhã, a projeto de lei de Biossegurança, que autoriza o uso de 36 mil embriões congelados em pesquisas, volta a pauta da Câmara de Deputados para votação.
Entre os familiares, duas paranaenses estiveram presentes para relatar suas histórias de vida. A londrinense Andréia Félix Pessoa e a curitibana Adriane Lopper fazem parte de uma organização não governamental (ONG), o Movimento em Prol da Vida (Movitae). ''Precisamos conscientizar os parlamentares que este projeto não pode mais esperar. São centenas de pessoas que podem ser beneficiadas pelas pesquisas'', disse a presidente da ONG, Andréa Bezerra de Albuquerque.
Enquanto a mãe Adriane luta em Brasília, o menino Fernando Lopper aguarda na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Pequeno Príncipe em Curitiba por uma vitória. O garoto, que tem oito anos foi internado aos oito meses de idade e desde então nunca saiu do hospital. Lopper possui uma doença genética chamada atrofia espinhal, que impede a transferência de ordens cerebrais para o resto do corpo, o que pode resultar no mau funcionamento dos pulmões e do coração. ''Por enquanto só temos tratamentos paliativos, como a fisioterapia e a alimentação correta'', disse Adriane.
A mesma doença se manifestou na filha de Andréia Pessoa há mais de três anos. ''A Maria Eduarda começou a andar com nove meses e em seguida começou a cair. Só então descobrimos o que ela tinha'', contou Andreia, que mora no distrito de Irerê, Zona Sul de Londrina. Há um ano a londrinense conheceu a ONG e desde então luta pela liberação das pesquisas. ''Não só quem tem atrofia espinhal será beneficiado, mas também pessoas com esclerose múltipla, diabetes e paraplégicos'', destacou a mãe.
Maria Eduarda, hoje com cinco anos, não anda, mas consegue conversar. ''Normalmente o doente só não perde a sensibilidade à dor e o movimento dos olhos'', explicou Andréia. Além de Maria Eduarda, o Movitae tem registros de mais de 60 pessoas com este tipo de doença no Brasil.

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