Mães ignoram aleitamento exclusivo
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quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Pesquisa realizada pelo Comitê de Aleitamento Materno (Calma) constatou que em cada grupo de 100 mães londrinenses apenas 21 amamentam seus filhos até o sexto mês de vida exclusivamente com leite humano. O resultado indicou que muitas das novas mamães abandonam a prática por fatores sócio-culturais. Foi por isso que um dos temas mais discutidos ontem durante o 3º Seminário de Aleitamento Materno de Londrina e região foi justamente a necessidade de sensibilizar a mãe a entender que o ato de amamentar não acontece de forma casual. O evento marca o início da Semana Mundial do Aleitamento Materno, que começa hoje e vai o dia 31.
Segundo a coordenadora do Calma, Lilian Poli de Castro, a pesquisa apontou que 98% das mães queriam amamentar seus filhos exclusivamente com o próprio leite até o sexto mês de vida. Mas, após o nascimento, apenas 21% das mães conseguiram cumprir a meta. Em 29% dos casos, elas desistiram de dar o seio no quarto mês após o nascimento e introduziram outros alimentos. Conforme o Calma, os índices de Londrina não ficam distantes da realidade nacional. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) orientam que os bebês sejam alimentados apenas com leite materno até o sexto mês de vida.
O leite da mãe é muito mais saudável para os bebês do que outros produtos industrializados, como leite em pó e suplementos alimentares. ''O leite materno é o único alimento que se adapta a cada fase da criança. A cada hora do dia o leite se modifica: o da manhã tem uma composição, ao meio-dia ele é diferente, à tarde e à noite também'', explica a coordenadora da Política Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Sônia Salviano.
Mas por que as mães desistem da amamentação? De acordo com Lilian, aspectos sócio-culturais como estresse doméstico, falta de tempo e de apoio da família, retorno ao trabalho, histórico familiar negativo de amamentação e falta de prazer no ato de amamentar estão influenciando as mães a deixarem de oferecer o peito. Para tentar reverter essa realidade, o município está capacitando profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para sensibilizar as lactantes a não desistirem desse ato de amor.
''Os profissionais de saúde têm que sensibilizar a mulher para que ela compreenda que o ato de amamentar não acontece por acaso mas se constrói. Elas precisam ter prazer com a amamentação'', comentou Lilian.
A primeira UBS a ser qualificada foi a do Conjunto Cafezal (Zona Sul). Lá, a enfermeira-obstetra Luciana do Carmo destacou que o projeto é importante porque mostra uma nova forma de abordagem das mães. Ela disse que o aconselhamento durante o pré-natal também é fundamental.
Luciana revelou que os cursos com grávidas oferecidos na unidade ajudou a elevar os índices de aleitamento naquela região: cerca de 75% das lactantes do Cafezal amamentam seus filhos pelo menos até o quarto mês apenas com leite materno.


