MÃES HUMILHADAS - Muito mais que as dores do parto
No ano passado, quando a tradutora Anita Ventura Frazillio de Souza, de Londrina, decidiu que sua filha nasceria de parto natural, enfrentou várias barreiras. A primeira delas veio da própria médica que a acompanhava: logo de cara, ao saber da intenção de sua paciente, ela avisou que não fazia este tipo de parto, apenas cesárea e, mesmo assim, com dia e hora marcados. A futura mamãe só achou o médico certo no oitavo mês de gestação, mas ainda teria que enfrentar o despreparo da equipe de enfermagem do hospital antes de ter sua pequena Sarah nos braços.
Assim como Anita, milhares de outras brasileiras sofrem mais que dores durante o trabalho de parto. Pesquisa da Fundação Perseu Abramo revelou que 25% das mulheres entrevistadas foram submetidas a algum tipo de violência durante o nascimento dos filhos, como exame de toque de forma dolorosa e humilhações verbais.
A maioria das mulheres entrevistadas (68%) teve filhos na rede pública. Entre as que afirmaram ter sofrido alguma violência no atendimento ao parto, 10% disseram ter sido submetidas a exame de toque doloroso. A mesma porcentagem informou que o serviço de enfermagem negou ou deixou de oferecer algum tipo de alívio para a dor. Já 9% das mulheres informaram que alguém gritou com elas no momento do parto e que não foram informadas sobre os procedimentos que estavam sendo realizados.
● O Brasil é um dos países com maior índice de cesáreas
● Em 2000, o Ministério da Saúde lançou o Programa Nacional de Humanização do Parto com o objetivo de reduzir as cesáreas e promover mais conforto às mulheres
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