Curitiba - Helena Costa Miranda, mãe de Éderson, está revoltada. Não faz acusações, mas diz que a prisão foi um grande erro. ''Ele se dedicava aos estudos. Estava feliz porque tinha passado no vestibular da Federal. Esse erro vai acabar com o futuro universitário que ele tinha'', ponderou. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, José Domingos Scarpellini (PSB), que ontem deixou o cargo, disse que não tem dúvidas de que a polícia cometeu excessos na prisão dos jovens. ''As mães estão sofrendo como se presas estivessem. O que a gente quer é que a Justiça prevaleça. As investigações devem ser levadas a efeito para responsabilizar efetivamente os que cometeram crimes. Não existe possibilidade material que dê motivos para incriminar esses três jovens'', argumentou ele.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que faz parte da comissão, encaminhou ontem cópias do relatório para a Chefia da Casa Civil e para o governador Roberto Requião (PMDB). ''Há um descompasso claro no que se diz e no que de fato aconteceu. Temos que fazer com que o caso seja analisado, que os meninos sejam ouvidos em audiência e que sejam libertados. Não podemos deixar que isso caia no esquecimento'', alertou. Foram levantados nomes de testemunhas que teriam visto os jovens no parque antes da prisão. Além do reconhecimento dos jovens, a prisão foi feita por policiais militares que alegaram saber da ligação entre Gustavo e o militar morto no latrocínio. Os jovens são acusados ainda de terem furtado uma arma de um militar no município de Rio Negro (SC), fugindo em seguida de carro.
O detalhe é que policial não reconheceu Silas (apontado como autor do furto). Nenhum dos três jovens sabe dirigir ou têm carteira de habilitação. As mães dos garotos disseram à Folha que eles sempre saíam de casa juntos, jogavam bola e empinavam pipa no fim da tarde. Era uma atividade rotineira. Eles se conhecem desde a infância, porque moram há anos na região do Jardim Jalisco, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) -divisa com os bairros Atuba e Santa Cândida (em Curitiba). Eles frequentavam juntos uma igreja evangélica da região e faziam parte do grupo de jovens. Apenas um deles usava maconha -segundo relato das mães. ''Só pode ser vingança ou coisa assim'', disse Beatriz.
Silas e Éderson estão presos no Centro de Triagem de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. ''Isso tudo acabou com a família toda. Abala a estrutura da gente'', lamentou Elizabeth. A Casa Civil informou que passará o caso para que o governador Roberto Requião (PMDB) analise e tome as providências que forem cabíveis. (L.P.)

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