Agência Folha
De São Paulo
Namoradas e mães de internos disseram ontem que a idéia de rebelião já estava sendo estudada pelos adolescentes havia algum tempo como forma de pressionar a Febem a transferi-los de local. Sueli Aparecida de Oliveira, cujo filho M.F.A., 16, está detido há oito meses por assalto à mão armada, afirmou que ‘‘os meninos pensavam em ‘parar’ as visitas (fazê-las reféns) para pressionar a direção a transferi-los.
Geruza Maria Ferreira da Silva, mãe de D.F.S., de 17 anos, disse que seu filho também já havia avisado que os internos tentariam se rebelar. ‘‘Ele me disse que iriam fazer uma rebelião porque aqui não fazem nada , disse Geruza. ‘‘Os meninos só pensam em fugir porque aqui é uma escola de malandragem , disse C.S.A., 15, namorada de D.A.S., 18. Ela estava visitando seu namorado quando começou a rebelião. Mas conseguiu sair antes que o tumulto tomasse outras alas.
A presidente da Associação de Mães de Crianças e Adolescentes em Situação de Risco, Conceição Paganeli, disse que havia um acordo com a direção para realizar um almoço no Natal. ‘‘Mas a comida foi um marmitex com arroz e peito de peru, que não dava para comer’’. Ela também afirmou que havia a promessa de exibição de filmes em um telão, mas isso não aconteceu. O secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Edsom Ortega, disse que o telão não foi montado porque os internos não permitiram.
Ortega, apontou as visitas de familiares como um dos fatores responsáveis pela rebelião. Segundo ele, o fato de alguns parentes terem sido pegos com drogas para fornecer aos internos gerou tensão na unidade. Ortega informou que dois parentes foram presos por estarem portando maconha, que seria levada aos internos.

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