Rio de Janeiro, RJ- Apontados pela polícia como os autores das mortes de quatro rapazes na Baixada Fluminense, oito dos nove PMs acusados do caso estão em liberdade um ano após o crime. Ontem à tarde, parentes das vítimas organizaram manifestação na Avenida Brasil, na altura do bairro de Guadalupe onde os rapazes moravam. O ato, o segundo protesto desde o crime, reuniu mais de 150 pessoas.
O cabo do Exército Geraldo Sant'Anna de Azevedo Júnior, 21, os irmãos Rafael, 19, e Renan Medina Paulino, 13, e o primo Bruno Muniz Paulino, 20, foram encontrados mortos depois de terem ido à casa de espetáculos Via Show, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Os policiais acusados foram presos por 50 dias e liberados em abril após pedido de habeas corpus na 6 Câmara Criminal. O desembargador Luiz Leite Araújo acatou a decisão.
O pedido de soltura foi feito por Ubiratan Guedes, advogado do capitão do 22º BPM (Maré) Ronald Paulo Alves Pereira, um dos acusados, e foi estendido pelo desembargador para os outros presos. ''Argumentei ilegalidade na prisão e falta de provas. É lamentável a morte dos quatro rapazes, mas a precipitação leva à impunidade'', disse.
Ronald foi baleado há 40 dias durante assalto no subúrbio e está afastado de suas atividades. Os outros policiais estão desempenhando atividades administrativas dentro dos quartéis. O caso também está sendo investigado pela 62 DP (Imbariê).
Os quatro rapazes foram mortos com sinais de tortura e tiros na cabeça dentro de um poço num matagal em Imbariê, em Duque Caxias, também na Baixada Fluminense. Era a primeira vez que Renan saía à noite. Os rapazes foram vistos pela última vez na madrugada do dia 6 de dezembro de 2003 dentro do carro Gol LIS-4217, que pertencia a Geraldo, após deixarem a casa de shows.

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