Mães de amigos dos acusados de matar índio pataxó iniciam campanha a favor dos rapazes
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domingo, 28 de março de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 29 (AE) - Mães de colegas e amigos dos quatro rapazes acusados de matar o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos - queimado vivo há dois anos em um ponto de ônibus de Brasília - iniciam uma campanha na tentativa de reverter o destino dos jovens, que estão prestes a enfrentar o júri popular. "Eles fizeram uma brincadeira de profundo mau gosto, mas não tinham a intenção de matar o índio", disse hoje à Agência Estado uma das organizadoras do movimento, a professora e advogada Sandra Guerreiro, mãe de um amigo de um dos envolvidos no episódio.
"Só queremos que se restabeleça a verdade", disse ela, admitindo que a campanha começa agora, depois de dois anos de silêncio, justamente porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu levar o caso a júri popular. Sandra mora na quadra residencial onde se encontravam os rapazes, a 216 sul, e decidiu começar o movimento atendendo a um pedido do filho, hoje residente em Franca (SP). "Os amigos sentiram necessidade de fazer algo", disse ela. Até agora, não havia grupo que, publicamente, defendesse os rapazes.
Antônio Novely Cardoso, Eron Chaves de Oliveira, Max Rogério Alves e Tomás Oliveira de Almeida alegaram ter feito uma brincadeira ao jogar álcool e atear fogo no índio, no dia 19 de abril. Galdino estava dormindo no banco de um ponto de ônibus da Asa Sul de Brasília porque não conseguiu entrar, de madrugada, na pensão onde estava hospedado. Teve mais de 90% do corpo queimado e morreu no dia seguinte. "Eles se surpreenderam com a explosão do recipiente com álcool", disse Sandra.
Segundo ela, o grupo de apoio não tem a intenção de defender a impunidade dos rapazes, mas "que eles respondam por suas intenções". Sandra não sabia quantas pessoas iriam aceitar o convite para participar do ato de apoio aos acusados, marcado para a noite de hoje.


