São Paulo, 08 (AE) - A vereadora Maeli Vergniano (sem partido) conseguiu adiar o prazo para a entrega de sua defesa prévia à Comissão Processante que avalia sua cassação, previsto para amanhã (08). Parlamentares governistas e de oposição acreditam que a manobra é um indício de que Maeli está tentando ganhar tempo para estudar melhor a possibilidade de renúncia. A tese, recorrente entre os gabinetes da Câmara Municipal, é negada pela defensora dela, a advogada Tânia Liz Nogueira. "A vereadora é inocente e vai provar isso".
O adiamento foi concedido pela presidente da comissão, a vereadora Ana Maria Quadros (PSDB), depois de a advogada de Maeli enviar petição alegando recebimento com atraso de uma cópia do depoimento de Eliseu Sanches, ex-motorista da vereadora. A apreciação da defesa ficou marcada para sexta-feira da próxima semana. Até a entrega, Maeli pode optar pela renúncia. Com isso, evitaria os constrangimentos do processo de cassação e manteria seus direitos políticos. "Foi desculpa, mas foi uma desculpa válida", disse um vereador da comissão, que não pode ser identificado. "É uma estratégia e, ao que tudo indica, ela deve tentar mais um adiamento". Segundo esse parlamentar, o fato do depoimento não ter sido entregue não é justificativa. "Na defesa prévia, o réu deve apenas afirmar que é inocente e arrolar testemunhas, deixando argumentos para as alegações finais". A tendência da Casa é cassar Maeli, segundo parlamentares ouvidos pela reportagem. Um desses vereadores entende que a "absolvição" de Maeli e de José Izar (PFL), que também está sujeito a processo de cassação, implicará um massacre da opinião pública. "Vão achar que Viscome foi apenas um bode expiatório, para melhorar a imagem da Casa". Acusações - As acusações que pesam contra Maeli, que deteve o controle sobre a Administração Regional de Pirituba, são: uso pessoal de veículo alugado pela empresa Vega para serviços de fiscalização da regional; montagem de esquema de corrupção, concussão e formação de quadrilha. Eliseu Sanches, ex-motorista da vereadora, usaria o carro da Vega para serviços particulares de Maeli, como levar seus filhos ao colégio e buscá-los.
A assessoria de Imprensa da vereadora Maeli negou qualquer tipo de estratégia. "Não tínhamos o principal, que era o depoimento de Sanches, e isso poderia desestabilizar a defesa", informou o assessor Boaventura Cisotto Neto. Segundo o vereador Dalton Silvano (PSDB), que integrou a CPI dos Fiscais, todos os documentos foram colocados à disposição da defesa e o depoimento de Sanches foi público. "Ela quer ganhar tempo, mas isso não vai atrapalhar o resultado final, que deve ser a cassação". O presidente da extinta CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), complementou: "Ela se refere ao depoimento de Eliseu Sanches na defesa entregue à CPI; está claro que tinha conhecimento do conteúdo".
A presidente da Comissão Processante informou que o novo prazo de dez dias foi concedido para evitar que Maeli entrasse na Justiça com pedido de liminar contra a comissão, por cerceamento de defesa. "Seria nosso direito indeferir o pedido", lembra Ana Maria. "Mas não queríamos dar argumentos, já que a petição da advogada tem fundamento legal". A comissão tem de encerrar os trabalhos até 26 de setembro.

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