Maeli admite que usava carro da Vega para fins particulares
São Paulo, 29 (AE) - A vereadora Maeli Vergnianio (sem partido) admitiu que usava um carro da Vega Engenharia Ambiental
no depoimento prestado hoje ao delegado Romeu Tuma Junior. Mas tentou negar que soubesse que o automóvel fosse da empresa. "Se soubesse, jamais o teria utilizado", disse Maeli. "Provei que sou inocente."
A vereadora, porém, teve de terminar admitindo o uso do veículo após a polícia apresentar documentos como a ficha de abastecimento do carro na Vega. A polícia apreendeu, ainda, cadernos que demonstram que funcionários do gabinete de Maeli devolviam parte de seus salários. Os apontamentos teriam sido escritos pela própria vereadora. O delegado Tuma Junior não quis comentar os fatos.
Antes de depor, Maeli havia feito uma rápida aparição na Câmara, na sala da CPI dos Fiscais. Já seu ex-motorista, Elizeu Sanches, não compareceu para depor na CPI, à tarde. O depoimento foi transferido para segunda-feira, às 14 horas.
Sanches usava o Fiat Uno, placa CGX-9233, locado pela Vega, para serviços particulares de Maeli. A empresa presta serviços à AR-Pirituba, comandada politicamente por Maeli. E Sanches é o atual administrador do Cemitério da Lapa, que ela também controla.
O parecer técnico sobre a denúncia encaminhada pelo advogado Mário Grego, solicitando a cassação de Maeli, deverá ser entregue amanhã aos vereadores pela Assessoria Jurídica da Câmara. Se for julgado procedente, pode ser lido em plenário.
"É possível que o material seja considerado improcedente; precise de complementação ou receba parecer favorável", disse o vereador Pierre de Freitas (PSDB). Caso tenha sido aprovada, a denúncia deve ser lida no plenário na sessão seguinte à entrega. Em seguida é votada a constituição de uma comissão de sete membros para tratar do caso. Para isso, porém, é necessário que haja um mínimo de 28 votos favoráveis.
"Os componentes da comissão serão sorteados e terão 90 dias para preparar um relatório, que já pode ser caracterizado como uma fase do processo de cassação", disse Freitas. Dessa forma, ela pode ser cassada até o começo de agosto.
Segundo o vereador, Grego identifica-se, no documento enviado, como ex-assessor político da Câmara, mas não há registros sobre isso. "Fizemos um levantamento e constatamos que não há informações de que ele tenha trabalhado na Casa", comentou. Essa constatação não intefere na procedência e viabilidade da denúncia, mas pode causar descrédito em relação ao denunciante.





