São Paulo, 27 (AE) - Um menino de 1 ano e 7 meses de idade foi esquecido sozinho na noite de ontem, trancado dentro da Escola de Educação Infantil Acalanto, em Santana, na zona norte da capital. Somente na madrugada, os pais conseguiram pegar o filho, que estava dormindo sentado em uma das salas de recreação. A mãe, a bancária Rosa Lúcia Gomes, de 30 anos, costumava buscar seu filho M.G.T. às 17 horas, mas, por causa da chuva, só conseguiu chegar à escola, situada na Rua Doutor Gabriel Piza, 362, às 20 horas. Como a escola estava fechada, ela achou que o marido, o programador industrial Robson Trindade
de 31 anos, já tivesse pego a criança. Mas, ao chegar em casa, o filho não estava.
O casal foi ao 9.º Distrito Policial, no Carandiru, e em companhia de um sargento, da 1.ª Companhia do 5.º Batalhão da PM
retornou à escola. O policial pulou o portão e constatou que não havia ninguém, mas sobre o balcão da recepção encontrou uma agenda. Rosa telefonou para a proprietária Julie Leung Choi, e, por volta das 2h30, ela chegou e abriu as portas. M.G.T. foi encontrado nos fundos da escolinha, dentro de uma sala de recreação, dormindo sentado, apoiado a uma mesinha. Julie, assustada, disse que o fechamento da escola teria sido feito por uma das recepcionistas.
"Cheguei atrasada, a culpa foi do trânsito e não tinha ninguém na escola, mas tinha certeza que meu filho estava lá, pois, nesse horário, ele costuma mesmo dormir", contou Rosa, dizendo que seu filho não ficará mais naquela escola. "É uma escola muito boa, cuidam do meu filho desde os 6 meses, mas foi uma falha grande, que eles vão ter de avaliar". Celular - Segundo Roberto Nechi, de 42 anos, que se apresentou como proprietário-sócio de sua mulher, Julie, a escola funciona das 7 às 19 horas. "A escola tem 22 anos e, em relação a esse fato, diria que foi uma atitude chata em relação aos pais, pois a responsabilidade era deles, até tentamos contato pelo celular, mas não conseguimos".
Ele contou que o porteiro Eudes é de inteira confiança e
por isso, mora no local. Ao ser questionado por Julie, o porteiro teria informado que já havia ido embora, mas Rosa teria entendido que a escola já estava fechada. "Até as 22 horas, a professora do maternal ficou aqui com mais cinco crianças, aguardando os pais, depois foi embora e o porteiro ficou tomando conta do menino".
"Não considero isso um incidente e sim um mal entendido
mas vamos esclarecer para que não fique nenhuma sequela", disse Nechi. Segundo ele, o menino estava brincando e dormiu. "Você sabe qual é o sinônimo de sono? É a tranquilidade". Quando questionado se não seria cansaço, ele respondeu: "É, mas aliado à tranquilidade".

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