São Paulo, 04 (AE) - A Corregedoria da PM e o Comando de Operações Especiais (COE) encontraram hoje, às 15 horas, em uma área de difícil acesso, às margens da Avenida Ayrton Senna, em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, os corpos que devem ser dos três jovens desaparecidos desde o dia 17, Quarta-Feira de Cinzas. A mãe de um dos rapazes reconheceu as roupas de um deles como sendo as de seu filho. As famílis continuam no Instituto Médico Legal de Santos onde está sendo feito o reconhecimento.
sumiço ocorreu após, segundo testemunhas, os rapazes serem espancados e detidos por policiais do Regimento de Cavalaria 9 de Julho, após um baile de carnaval, perto do Ilha Porchat Clube, em São Vicente. Os corpos foram achados após o surgimento, ontem, de três novas testemunhas. Uma confirmou que os rapazes foram detidos por PMs da cavalaria. Duas outras, viagias de uma empresa perto do Shopping Litoral Plaza, em Praia Grande, deram a informação que levou aos corpos, encontrados em uma área conhecida como Portinho.
"Eles disseram que, por volta das 6h20 de quarta-feira, viram um carro da cavalaria entrar em uma viela próxima do shopping", disse o comandante da corregedoria, coronel Luiz Carlos Guimarães. Ainda segundo o coronel, os vigias disseram que o carro era uma Blazer com a inscrição "Cavalaria", o que confirmava as informações das outras testemunhas que viram os rapazes serem detidos e espancados.
O veículo patinou na rua de terra e parou. Desceram três policiais militares cujas camisas e calças tinham a mesma cor: cinza-escuro, característica da cavalaria, pois as camisas dos PMs da região são mais claras do que as calças. "Eles retiraram dois ou três civis do carro", disse o coronel. Em seguida, obrigaram as vítimas a entrar numa mata. Um PM ficou no carro. Ele deu marcha à ré e entrou com o carro no mato. De acordo com os vigias, os policiais permaneceram até as 8 horas no mangue, quando saíram sozinhos.
Buscas - Hoje, a corregedoria coordenou uma operação que começou às 7h30 e contou com cerca de 400 policiais militares e civis. "Foi a maior de toda a história da corregedoria", disse o coronel. À tarde, homens do COE acharam os corpos que devem ser de Anderson Pereira dos Santos, de 14 anos, Thiago Passos Ferreira, de 17, e Paulo Roberto da Silva, de 21.
Os corpos estavam em decomposição, mas as roupas dos mortos são semelhantes às que eram usadas pelos rapazes desaparecidos. Um dos corpos estava com o crânio esfacelado - os vigias não ouviram tiros. A perícia tentará descobrir como eles foram mortos. Após o desaparecimento dos rapazes, sete PMs foram presos.
Testemunhas apontaram o sargento José Carlos Ferreira, e os soldados Marcelo de Oliveira Christov, Antônio Sérgio Quintas da Costa e Alexandre Serafim de Lara Costa como os PMs da Blazer da cavalaria que detiveram os jovens. O problema é que, pela escala de serviço, só Christov devia estar na Blazer. Os outros três presos são os PMs que, pela escala, deviam estar no carro: o tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira e os soldados Edvaldo Rubens de Assis e Humberto da Conceição. Todos negam o crime.
"Caso não esclareçam o que houve, todos serão indiciados", disse o coronel Guimarães. "O que houve nos repugna, é contra tudo o que ensinamos". DNA - A delegada Elisabete Sato, que está presidindo o inquérito no DHPP, já requisitou exames de DNA dos familiares dos três rapazes para comparar com a mancha de sangue encontrada na Blazer apontada pelas testemunhas.

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