O caso da dona de casa Cláudia Letícia de Souza Bloq, que também tem seu nome em uma receita de Cytotec, é ainda mais grave. Seu filho morreu horas depois de ter nascido, em março deste ano. Claúdia conta que chegou em uma quarta-feira à tarde ao hospital com as dores do parto e a bolsa rompida, mas a ginecologista Cristina Cerniak disse que não estava na hora. A mãe ficou até sexta-feira pela manhã sentindo dores e esperando pelo parto. ''Na quarta de manhã eu havia feito uma ecografia e, segundo o resultado, o meu filho estava muito bem. Mas, depois que ele morreu, o doutor Eldo (Ern) disse que foi por causa de problemas no coração. Só que ele nasceu todo roxo'', lembra. Cláudia registrou, ontem, queixa contra os médicos na delegacia de São José dos Pinhais.
Ern e Cristina disseram em entrevista à Folha na semana passada que aplicavam o Cytotec com base em estudos científicos e nunca em casos onde não havia necessidade. Também garantiram que sempre tiveram o aval das mães para o uso do remédio. A reportagem da Folha tentou ouvi-los ontem sobre a liminar, mas conseguiu encontrá-los nem no consultório nem em casa. O advogado de Ern e Cristina também não foi localizado.

mockup